No dia 25 de fevereiro, o superiate Nord, que pertence ao bilionário russo Alexey Mordashov, aliado de Vladimir Putin, fez a travessia do Estreito de Ormuz, uma passagem estratégica que enfrenta restrições de tráfego impostas pelos Estados Unidos e pelo Irã. De acordo com registros marítimos, a embarcação é uma das poucas que conseguiu navegar pela região nos últimos dias.
Com 142 metros de comprimento, o iate deixou uma marina em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, na sexta-feira (24) e atravessou o estreito na manhã de sábado, chegando a Mascate, no Omã, no início de domingo (26). Avaliado em mais de US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões), o Nord é considerado um dos maiores iates de luxo do mundo.
Informações sobre a autorização para a passagem do superiate pelo Estreito de Ormuz não são claras. Desde o ataque dos EUA e Israel em 28 de fevereiro, o Irã tem intensificado as restrições ao tráfego na região, que é responsável por cerca de 20% do petróleo consumido globalmente. Os EUA, por sua vez, implementaram um bloqueio sobre portos iranianos e estão realizando interceptações de embarcações associadas a Teerã.
Antes do aumento das tensões, entre 125 e 140 navios cruzavam diariamente o Estreito de Ormuz. Nas últimas semanas, esse número caiu drasticamente, com uma média de menos de 10 embarcações por dia, representando cerca de 7% a 9% do fluxo habitual. A maioria das embarcações que ainda navegam na área são sancionadas ou operadas por aqueles dispostos a correr mais riscos.
Mordashov é um dos empresários russos sancionados pelos EUA, pela União Europeia e pelo Reino Unido após a invasão da Ucrânia. Embora não seja oficialmente listado como proprietário do Nord, registros corporativos de 2025 indicam que a embarcação estava registrada sob uma empresa controlada por sua esposa, Marina Mordashova, que também enfrenta sanções do Ocidente.
A travessia do superiate coincide com a visita do chanceler iraniano, Abbas Araqchi, à Rússia para se encontrar com o presidente Putin. Este, por sua vez, elogiou a resistência do Irã na guerra contra os EUA, destacando a crescente cooperação estratégica entre Moscou e Teerã, que inclui acordos em segurança, energia e fornecimento de drones utilizados no conflito na Ucrânia.




