O governo de Luiz Inácio Lula da Silva pretendia retirar as credenciais de um segundo agente americano, além de Michael William Myers, que deixou o Brasil na última sexta-feira (24). A intenção de expulsão, no entanto, foi barrada pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE). A informação foi confirmada por apurações do Estadão.
O MRE considerou a falta de reciprocidade em relação à expulsão do delegado da Polícia Federal, Marcelo Ivo de Carvalho, pelos EUA. A análise no Itamaraty indicou que a expulsão de dois agentes poderia ser interpretada como uma escalada nas tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. A chancelaria brasileira avaliou que essa ação poderia ser mal interpretada por Washington, ultrapassando a lógica de reciprocidade defendida por Lula.
Fontes ligadas ao MRE informaram que, ao responder à decisão americana, o governo brasileiro deveria manter a reciprocidade tanto na "forma quanto no conteúdo". A expulsão de dois agentes, em vez de um, como ocorreu com a ação americana, poderia agravar a situação diplomática.
O diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, esclareceu que houve uma suspensão temporária do acesso do agente americano à corporação até que o Itamaraty tomasse uma decisão. Isso significou que o funcionário deixou de ter acesso à sede da PF e a seus sistemas. A identidade deste agente não foi divulgada.
Michael William Myers, que atuava na área de segurança e tinha sido credenciado pela embaixada americana em Brasília desde setembro de 2024, teve suas credenciais retiradas. Myers era adido do departamento de imigração dos EUA (ICE) no Brasil. A decisão de expulsá-lo foi anunciada em 22 de abril, como uma retaliação à expulsão de Marcelo Ivo, que aconteceu dois dias antes. O delegado da PF foi acusado pelos EUA de tentar manipular o sistema migratório americano para facilitar a repatriação do ex-deputado Alexandre Ramagem.




