O projeto Ficha Limpa, que será implementado em abril de 2026 pelo governo de Javier Milei, tem como principal objetivo a reformulação do sistema eleitoral Na Argentina, inspirado em legislação brasileira similar. Essa iniciativa busca impedir que indivíduos com condenações por crimes dolosos, que envolvem a intenção de cometer ilícitos, possam assumir cargos públicos, abrangendo tanto candidatos em eleições quanto ocupantes de cargos de confiança, como ministros e diretores de estatais.
A proposta estabelece que a Justiça Eleitoral crie um Cadastro Público de Antecedentes Criminais, que deverá ser consultado obrigatoriamente por juízes antes de qualquer eleição ou nomeação. Caso o nome do candidato conste na lista devido a uma condenação, ele será automaticamente barrado, sem a necessidade de qualquer denúncia por terceiros. Essa medida visa barrar a ascensão de políticos envolvidos em corrupção, tráfico ou lavagem de dinheiro.
A ex-presidente Cristina Kirchner já está impedida de concorrer a cargos públicos devido a uma condenação em última instância. Seus aliados, no entanto, veem a Ficha Limpa como uma ferramenta destinada a perseguições políticas. O governo defende que a lei visa consolidar a exclusão de pessoas condenadas por corrupção, dificultando sua reintegração ao cenário político argentino no curto prazo, mesmo com possíveis tentativas de recursos internacionais ou perdões políticos.
Além disso, Javier Milei pretende eliminar as primárias abertas, conhecidas como PASO, que funcionam como um mecanismo de seleção de candidatos pelos partidos. A ausência dessas primárias pode dificultar a união da oposição em um bloco coeso, resultando na pulverização de votos e beneficiando o atual governo nas eleições presidenciais de 2027.
Enquanto a Argentina, sob a liderança de Milei, busca estabelecer regras mais rígidas e criar órgãos especializados no combate ao crime organizado, analistas destacam que o Brasil vive um movimento de flexibilização de suas leis anticorrupção. Assim, a Argentina tenta construir barreiras que o Brasil, pioneiro na temática, está considerando abrandar em suas discussões recentes.




