O Pantanal, conhecido por sua biodiversidade, tem se tornado um destino turístico cada vez mais procurado, especialmente pela presença da onça-pintada. Este felino, que por muito tempo foi associado ao medo e ao conflito com a pecuária, agora se destaca como a principal atração do ecoturismo, movimentando milhões de dólares anualmente. Carolina Kara Prange, bióloga e guia bilíngue do Onçafari, destaca que a maioria dos visitantes já não chega com receio, mas sim maravilhados com a possibilidade de avistar esses animais em seu habitat natural.
A transformação da imagem da onça-pintada não ocorreu da noite para o dia. O processo de habituação, que começou em 2012, foi fundamental para a conquista da confiança dos felinos. Lilian Rampim, Gerente de Ciência e Ecoturismo da Onçafari, acompanhou de perto essa evolução. O projeto piloto, que teve início no Pantanal, envolveu aproximações graduais, onde a equipe inicialmente mantinha uma distância de 200 metros dos animais e, com o tempo, foi reduzindo essa distância até alcançar aproximadamente 12 metros, sempre respeitando o comportamento natural dos felinos.
Com uma taxa de sucesso de 99%, o processo de habituação permitiu que os turistas observassem as onças em situações mais próximas, aumentando o interesse pelo ecoturismo. Carolina Prange ressalta que cada onça possui características únicas, o que enriquece a experiência dos visitantes. O estudo realizado por Fernando Tortato aponta que a observação dessas onças pode gerar até US$6,8 milhões em comparação com a atividade pecuária, que rende apenas US$120 mil.
A importância da onça-pintada vai além do turismo. O animal é considerado um indicador de saúde ambiental e sua conservação é essencial para a preservação do ecossistema do Pantanal. Entretanto, há preocupações em relação a projetos de infraestrutura que possam impactar negativamente essa área. Um projeto discutido desde 2024 visa construir uma ponte ligando o Pantanal de Mato Grosso do Sul ao de Mato Grosso, o que poderia trazer veículos pesados para a região e ameaçar a fauna local, incluindo as onças.
As entidades que atuam na proteção do meio ambiente e no turismo expressam sua oposição a essa iniciativa, ressaltando os riscos de atropelamentos e degradação do habitat natural. A preservação do Parque Estadual Encontro das Águas, considerado o principal berçário de onças-pintadas do mundo, é uma prioridade para garantir a continuidade do ecoturismo e a sobrevivência dessas espécies no futuro. A onça-pintada, portanto, não é apenas uma estrela do turismo, mas também um símbolo da luta pela conservação no Pantanal.




