Um delegado brasileiro que trabalhava no Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) nos Estados Unidos foi expulso do país por supostamente manipular o sistema de imigração americano. O governo de Donald Trump alegou que o delegado tentava "contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas" em território norte-americano. A detenção do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) está relacionada a essa situação.
A expulsão foi comunicada pelo Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo dos EUA, e a Embaixada americana no Brasil divulgou uma nota informando a decisão no final da tarde desta segunda-feira (20). A Embaixada destacou que "nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos".
De acordo com informações da TV Globo, o delegado expulso é Marcelo Ivo de Carvalho, da Polícia Federal (PF), que atuava junto ao ICE. A confirmação da identidade do funcionário foi feita pela Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Outros veículos de comunicação também identificaram o delegado com o auxílio de autoridades. O Itamaraty optou por não comentar o caso, enquanto a PF informou que não havia sido notificada sobre a expulsão.
Alexandre Ramagem, que foi detido por dois dias em um centro de detenção do ICE, foi abordado na última segunda-feira (13) em Orlando, na Flórida, por uma suposta infração de trânsito. Durante a checagem de sua documentação, foi constatada a invalidade de seu passaporte diplomático, anulado pela Câmara em dezembro de 2025, após a cassação de seu mandato.
Apesar da detenção, Ramagem foi liberado dois dias depois e utilizou suas redes sociais para agradecer a aliados e membros da administração Trump. Ele afirmou ter entrado nos Estados Unidos em setembro de 2025 de maneira regular, com visto e passaporte válidos, e está aguardando a análise de seu pedido de asilo político.
O ex-deputado é ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e foi condenado a 16 anos pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) devido a um suposto plano de golpe de Estado. Antes do término do processo, ele deixou o Brasil pela fronteira entre Roraima e a Guiana. Desde setembro de 2025, Ramagem é considerado foragido da justiça brasileira, o que resultou na inclusão de seu nome na lista da Interpol e em um pedido de extradição.




