Em meio a tensões entre Os Estados Unidos e o Irã, o presidente Donald Trump criticou o papa Leão XIV por suas declarações sobre a guerra, enquanto o vice-presidente católico J.D. Vance adotou uma postura mais moderada. Em entrevista ao programa Special Report with Bret Baier, transmitido em 13 de abril, Vance comentou que a intervenção do Vaticano em questões de política pública poderia ser limitada, sugerindo que o papa deveria focar em temas relacionados à moralidade da Igreja.
No evento da Turning Point USA, realizado na Universidade da Geórgia no dia seguinte, Vance expressou respeito pelo papa e destacou a importância de sua defesa pela paz, ao mesmo tempo em que questionou a interpretação papal sobre a doutrina da guerra justa. Ele argumentou que o papa deve ser cauteloso ao tratar de temas teológicos, especialmente em um contexto onde a guerra está em pauta.
As observações de Vance surgem em um momento em que o papa enfatiza a necessidade de paz, enquanto figuras da Igreja Católica, como o cardeal Pietro Parolin e o cardeal Robert McElroy, da Arquidiocese de Washington, expressam ceticismo quanto à justificativa da guerra sob a doutrina da guerra justa. Eles afirmaram não acreditar que a situação atual atenda aos critérios estabelecidos por essa doutrina.
Três teólogos católicos que conversaram com a EWTN News também contestaram a noção de que política e moralidade possam ser dissociadas, enfatizando que a Igreja tem um papel fundamental em discutir questões relacionadas a conflitos armados. A EWTN News tentou obter uma posição oficial de Vance sobre se ele considera que a justificativa para a guerra é uma questão moral, mas não obteve resposta até o fechamento da matéria.
Historicamente, a Igreja Católica tem abordado questões de guerra como uma questão de moralidade. Santo Agostinho, por exemplo, escreveu extensivamente sobre o tema no início do século V, e papas ao longo dos séculos têm debatido a doutrina da guerra justa, incluindo a recente ameaça de Trump de destruir a civilização iraniana, que foi interpretada como uma ameaça à cultura e aos civis.
Os teólogos também ressaltaram que, ao questionar a legitimidade moral das ações dos soldados, Vance se coloca em uma posição complicada, pois isso pode comprometer a capacidade deles de realizar suas funções e garantir sua segurança.




