A Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul decidiu encaminhar a Situação da Santa Casa de Campo Grande para órgãos federais, como o Departamento Nacional de Auditoria do SUS e o TCU (Tribunal de Contas da União). A medida foi tomada após uma inspeção que revelou um quadro alarmante, com pacientes enfrentando longas esperas por cirurgias e a falta de médicos, além de relatos de mortes que podem estar ligadas à demora no atendimento.
Os dados mostram que, até março deste ano, o hospital recebeu aproximadamente R$ 53 milhões em repasses federais. A vistoria realizada no último mês envolveu a escuta de 46 pacientes, que expuseram um padrão preocupante, incluindo a falta de avaliação de especialistas e pacientes em jejum por dias, sem procedimentos cirúrgicos. Em uma situação, enfermeiros estavam enviando fotos de lesões a médicos por meio de aplicativos, sem exames presenciais.
Além das questões de atendimento, a inspeção identificou problemas estruturais, como falta de climatização, mobiliário danificado e deficiências em higiene. O cenário é grave, com uma paciente aguardando mais de 20 dias por uma cirurgia cerebral, só sendo operada após a intervenção da Defensoria. Outros casos revelam pacientes esperando meses ou até anos para a remoção de materiais cirúrgicos, aumentando o risco de infecções.
A especialidade de ortopedia, por exemplo, está praticamente inativa, com cirurgias suspensas devido à falta de pagamento das equipes médicas. A Defensoria Pública considera a situação inaceitável e exige investigações sobre a gestão do hospital e a alocação de recursos. Há expectativa de que os órgãos federais verifiquem possíveis irregularidades e responsabilizem os envolvidos.
A Santa Casa, por sua vez, já apresentou um plano de reestruturação estimado em R$ 60 milhões, buscando solução para a desatualização da tabela do SUS e a correção dos valores pagos pelos atendimentos, tendo ingressado na Justiça Federal e Estadual. Em comunicado, a instituição afirmou que a auditoria anunciada pelo Governo do Estado e pela Prefeitura é de natureza contábil e que, até o momento, não há equipes realizando atuações diretas nas dependências do hospital, apenas solicitando documentos e informações que estão sendo disponibilizados.




