O conceito de voos comerciais supersônicos, que parecia ter sido sepultado com a aposentadoria do Concorde em outubro de 2003, ganhou novo fôlego com os recentes avanços da NASA. Na última sexta-feira (12), a agência anunciou que sua aeronave experimental X-59 alcançou um marco importante, voando a aproximadamente 1.487 km/h e a uma altitude de 55 mil pés. Este voo representa um passo significativo em direção à viabilidade de operações supersônicas silenciosas.
O X-59, que já havia rompido a barreira do som durante um teste em 5 de junho, passou por uma nova prova nos céus da Califórnia, atingindo as condições necessárias para iniciar testes de viabilidade sobre áreas habitadas. Para avançar nessa nova fase, a aeronave precisará passar por meses adicionais de testes de segurança e desempenho, incluindo manobras em diversas altitudes.
Após essa fase de testes, a NASA planeja realizar voos do X-59 a 55 mil pés sobre várias cidades nos Estados Unidos, com o intuito de coletar dados sobre a percepção do ruído gerado pela aeronave entre a população local. Essas informações serão essenciais para que as autoridades regulatórias, tanto nacionais quanto internacionais, possam avaliar o impacto sonoro do novo modelo.
O objetivo final é que, com base em evidências científicas que comprovem a redução do ruído, as legislações globais sejam revisadas. Isso permitiria o retorno de jatos comerciais supersônicos ao espaço aéreo, abrindo caminho para uma nova era de aviação em alta velocidade. O X-59 é visto como um potencial sucessor do Concorde, que operou por quase três décadas e permitia a travessia do Atlântico em menos de quatro horas, embora isso fosse restrito a um público seleto.
O Concorde, fruto de uma colaboração entre britânicos e franceses, enfrentou sérias dificuldades financeiras, incluindo altos custos de manutenção e consumo elevado de combustível. Além disso, a situação econômica após os atentados de 11 de setembro e um trágico acidente em Paris em 2000 limitaram suas rotas, impactando sua viabilidade comercial a longo prazo.
A missão Quesst (Tecnologia SuperSônica Silenciosa) da NASA busca superar as barreiras regulatórias e ambientais que limitaram o uso de aeronaves supersônicas. O design inovador do X-59 tem como uma de suas principais características a mitigação das ondas de choque, eliminando o estrondo ensurdecedor que causava impactos físicos, como o estilhaçamento de janelas. Em vez disso, o rompimento da barreira do som gera um leve estalo físico, descrito pelos engenheiros como um "baque silencioso".




