A cúpula da Otan, que ocorre até esta quarta-feira (8) na Turquia, trouxe à tona novas tensões entre Israel e o governo turco. A insatisfação de Israel com um memorando assinado pelos Estados Unidos e pelo Irã, que visa encerrar a guerra contra o regime islâmico desde 28 de fevereiro, parece ter sido um fator que acirrou ainda mais as relações entre os dois países. O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, agora enfrentam um novo ponto de atrito: as ações da Turquia sob a liderança de Recep Tayyip Erdogan.
Durante uma reunião bilateral com Erdogan, Trump declarou que em breve tomará uma decisão sobre a venda de caças F-35 para a Turquia, um negócio que havia sido vetado pelos EUA em 2019 devido à compra, por Ancara, de um sistema de defesa aérea S-400 da Rússia. Essa possível negociação gera preocupação em Israel, onde Netanyahu expressou, em entrevista à CNN, que o governo Erdogan é “um regime contaminado pela Irmandade Muçulmana”, que, segundo ele, “odeia os Estados Unidos”. O premiê também enfatizou que a venda dos F-35 “não faz da Turquia um Estado aliado dos Estados Unidos”.
As trocas de acusações entre os governos de Turquia e Israel se intensificaram desde o início do conflito entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza, em outubro de 2023, que atualmente se encontra em um cessar-fogo. A Turquia manifestou interesse em se juntar a uma ação da África do Sul na Corte Internacional de Justiça (CIJ) para investigar alegações de genocídio relacionadas à ofensiva israelense em Gaza. Além disso, Ancara enviou uma carta às Nações Unidas solicitando a imposição de um embargo internacional de armas a Israel.
As relações se deterioraram ainda mais quando Erdogan comparou Netanyahu a Adolf Hitler e interrompeu o comércio entre os dois países. Em novembro de 2025, a Procuradoria-Geral de Istambul emitiu mandados de prisão contra 37 pessoas de Israel, incluindo Netanyahu, com base em acusações de genocídio e crimes contra a humanidade na guerra em Gaza.
Com a cúpula da Otan em andamento, as tensões entre Israel e Turquia se intensificaram. Em um evento realizado em Jerusalém no final de junho, um ministro israelense fez declarações que exacerbaram ainda mais a situação. Jose Lev Alvarez Gomez, colunista do The Times of Israel, escreveu que as declarações de Ancara em relação a Israel não devem ser vistas apenas como birra, mas como parte de uma estratégia mais ampla.
Gomez argumentou que Erdogan está construindo um eixo pan-sunita liderado pela Irmandade Muçulmana, utilizando a infraestrutura do Hamas em Istambul e forças em diversas regiões, como Líbia e Síria. Ele afirmou que a Turquia poderia tentar preencher o vácuo deixado pela diminuição do poder iraniano na região, o que representa uma ameaça significativa para Israel. O especialista concluiu que Trump deve reconsiderar a ideia de que estreitar laços com Erdogan seria benéfico para os interesses dos Estados Unidos.




