A decisão de Michelle Bolsonaro de deixar a presidência do PL Mulher, anunciada no início da semana, gerou uma série de especulações entre os aliados do presidente do PL, Valdemar Costa Neto. O afastamento ocorre em meio a um clima de tensão, intensificado após a divulgação de um vídeo em que Michelle expressa ter se sentido "humilhada" pelo senador Flávio Bolsonaro, que é pré-candidato à presidência. Interlocutores da sigla acreditam que essa mudança pode ajudar a minimizar a repercussão negativa do vídeo e aliviar as tensões na família Bolsonaro.
Conforme informações de fontes da alta cúpula do PL, as portas para um possível retorno de Michelle ao partido permanecem abertas, o que poderia ocorrer após as eleições de outubro, dependendo dos resultados. A avaliação é de que Valdemar tentará reintegrá-la, considerando o trabalho realizado por ela à frente do PL Mulher.
No entanto, essa expectativa contrasta com a visão de aliadas de Michelle, que acreditam que sua saída é definitiva. Elas apontam que essa ruptura pode afetar negativamente a campanha de Flávio, especialmente entre o eleitorado feminino, que historicamente tem mais afinidade com Michelle e onde o PL enfrenta maiores dificuldades.
Um exemplo dessa situação foi um evento recente realizado por Flávio em Brasília, que não contou com a presença de figuras importantes do partido e de aliados no Distrito Federal, como a governadora Celina Leão, a senadora Damares Alves e a deputada federal Bia Kicis. A ausência dessas lideranças pode indicar um descontentamento com a atual situação do partido.
Outro ponto que gera preocupação é a possível desistência de Michelle de concorrer ao Senado pelo Distrito Federal. Durante a reunião com Valdemar, a ex-primeira-dama questionou sua candidatura e prometeu tomar uma decisão nos próximos dias. Para suas aliadas, essa saída pode ter repercussões diretas sobre a candidatura do senador, complicando ainda mais sua trajetória eleitoral.




