A família de Roberto Higa confirmou que o câncer do fotógrafo voltou a se manifestar, resultando na decisão de iniciar cuidados paliativos. Mariana Higa, filha de Roberto, fez a revelação em um tom descontraído, enquanto estava Ao Lado do pai em sua casa. Ela expressou a dificuldade da situação, mas destacou que todos na família estão se esforçando para proporcionar o melhor cuidado possível neste momento tão sensível.
Em uma publicação, Mariana perguntou ao pai como ele estava se sentindo, e a resposta foi direta: "uma merda". Ela explicou que, após um longo período de luta, não existem mais opções de tratamento com a intenção de cura. A partir deste ponto, o foco da família se volta para garantir o conforto, a dignidade e o amor no dia a dia de Roberto. Mariana ressaltou que ele está muito lúcido e ciente de tudo ao seu redor, e que o que se busca agora é evitar o sofrimento.
A trajetória de Roberto Higa é marcada por sua contribuição ao registro da história de Mato Grosso do Sul. Ao longo de sua carreira, ele trabalhou em diversos jornais em Campo Grande e também na comunicação do Governo do Estado. Suas fotografias documentaram acontecimentos políticos, culturais e sociais que se tornaram parte da memória visual do estado.
Em 2024, o Lado B teve a oportunidade de visitar Roberto em sua casa, onde ele compartilhava uma fase desafiadora de sua vida, lidando com o câncer e outros problemas de saúde. Em 2008, Higa havia sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e foi diagnosticado com Alzheimer. Apesar das dificuldades, ele mantinha um hábito significativo: dormir com a câmera Ao Lado.
Durante a entrevista, Higa refletiu sobre sua experiência como repórter fotográfico, ressaltando como é diferente viver uma situação que ele já havia testemunhado por meio de sua câmera. Ele expressou que, ao passar pela própria doença, a percepção da vida se tornava mais profunda e complexa.
Descendente de okinawanos, Roberto Higa é frequentemente descrito como um arquivo vivo da história de Mato Grosso do Sul. Seu trabalho abrange décadas e inclui tanto momentos cotidianos quanto eventos históricos, como o hasteamento da primeira bandeira do estado. Mariana, em sua mensagem, não deixou de destacar o legado humano e profissional deixado por seu pai, descrevendo-o como um homem forte, pai amoroso e amigo inspirador. Ela finalizou ressaltando que agora é a vez da família cuidar dele com todo o amor que ele sempre dedicou ao mundo, expressando o desejo de que seu legado perdure pelas próximas gerações.




