A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou, nesta quarta-feira (3), uma resolução que visa pressionar o presidente Donald Trump a retirar as tropas americanas do Irã e a buscar autorização do Congresso para continuar a guerra. A votação foi concluída com 215 votos a favor e 208 contra, contando com o apoio unânime dos democratas e de quatro republicanos.
Essa medida representa uma derrota política significativa para Trump na Câmara, que é dominada pelos republicanos, e sinaliza um aumento da resistência no Congresso em relação à guerra contra o Irã, cuja resolução ainda parece distante, já que as negociações entre a Casa Branca e Teerã se encontram paralisadas no momento.
A resolução é fundamentada na Lei de Poderes de Guerra, datada de 1973, que tem como objetivo limitar a capacidade do presidente de manter tropas americanas em conflitos prolongados sem a autorização do Legislativo. O texto determina que Trump deve retirar os militares dos EUA do conflito com o Irã, a menos que o Congresso declare guerra ou autorize formalmente o uso da força.
Os quatro republicanos que votaram a favor da proposta foram: Thomas Massie, de Kentucky; Tom Barrett, de Michigan; Warren Davidson, de Ohio; e Brian Fitzpatrick, da Pensilvânia. Esses nomes são conhecidos por serem críticos do presidente Trump dentro do próprio partido.
Apesar de sua aprovação, a resolução não impõe uma obrigação imediata a Trump para encerrar a guerra. O próximo passo é o envio do texto ao Senado, onde, mesmo que avance, pode enfrentar uma ampla disputa jurídica e um possível veto presidencial, já que a implementação da resolução depende da assinatura de Trump. O New York Times relata que a Casa Branca considera inconstitucionais os esforços dos democratas de limitar a condução da guerra pelo Executivo. Os democratas, por sua vez, argumentam que é necessário restaurar o papel constitucional do Congresso nas decisões relacionadas a “guerras prolongadas”.
Republicanos que apoiam Trump criticaram a resolução, alegando que sua aprovação enfraquece a posição do presidente nas negociações com o Irã. O presidente da Câmara, Mike Johnson, tentou evitar a votação, mas não obteve sucesso.




