O governo brasileiro, liderado por Lula, está avançando com a proposta de reduzir a jornada de trabalho semanal de 44 para 40 horas. Nações como Portugal, França, Chile e Colômbia já implementaram mudanças semelhantes, apresentando resultados diversos em relação à produtividade e ao emprego.
Em 1996, Portugal fez a transição de uma carga de 44 horas para 40, sem redução salarial. Essa modificação resultou em um aumento de 6% no custo do trabalho por hora. Apesar de a produtividade ter subido 4,4%, o país enfrentou uma queda de 2% no nível de emprego e uma diminuição de 4% nas vendas das empresas afetadas. O estudo indicou que as companhias que optaram por reduzir a carga de trabalho voluntariamente antes da nova legislação apresentaram resultados mais favoráveis do que aquelas que foram obrigadas.
Na França, a jornada foi reduzida para 35 horas em 2000, com o governo oferecendo incentivos fiscais como compensação para as empresas. Embora SE estimasse a criação de 350 mil empregos, especialistas acreditam que os incentivos fiscais tiveram um papel mais significativo nessa geração de empregos do que a redução de horas. A rigidez da legislação levou a administrações posteriores a implementarem isenções para horas extras, resultando em um custo de até 15 bilhões de euros anuais para o governo.
O Chile está implementando uma redução progressiva, com a jornada caindo para 44 horas em 2024, 42 horas em 2026 e 40 horas em 2028. A Colômbia também está em processo de diminuição da carga de trabalho, visando 42 horas semanais. Na Colômbia, o desemprego caiu para 8,6%, mas a produtividade por trabalhador teve uma queda de 3,1%, sugerindo que o trabalho está sendo dividido entre mais pessoas sem ganho de eficiência, o que pode sobrecarregar pequenas e médias empresas.
Experiências em países como Islândia e Reino Unido mostram resultados positivos. Na Islândia, testes no setor público mantiveram a produtividade e melhoraram o bem-estar dos funcionários. No Reino Unido, um experimento com a semana de quatro dias reduziu a rotatividade de funcionários em 57% e as licenças médicas em 65%. Esses casos SE destacam por serem baseados na adesão voluntária das empresas, com preparação e reorganização interna, ao invés de uma imposição legal repentina.
A Confederação Nacional da Indústria do Brasil alerta que o fim da escala 6×1 pode resultar em uma perda anual de R$ 76,9 bilhões no PIB nacional. A preocupação é que a mudança ocorra de forma abrupta, sem compensações tributárias e diálogo com o setor produtivo. Relatórios da Organização Internacional do Trabalho indicam que reformas implementadas de maneira apressada podem gerar efeitos adversos, como aumento da informalidade e diminuição da competitividade das empresas.




