A arroba do boi gordo registrou um novo recorde de preço, alcançando R$ 373,30 na quarta-feira, dia 15. Este valor é equivalente a US$ 73,58, conforme o indicador do Cepea. A alta é atribuída a uma combinação de fatores, incluindo o ciclo pecuário atual, a demanda externa e a situação de conflito no Oriente Médio, refletindo diretamente no preço pago ao consumidor local.
Regis Luis Comarella, presidente do Sincadems, destacou que o ciclo pecuário é um dos principais responsáveis pela alta dos preços. A retenção das matrizes, com o objetivo de aumentar a produção de bezerros, resultou na escassez de animais disponíveis para o abate. Isso, por sua vez, eleva o custo do boi gordo e do bezerro.
Adicionalmente, a demanda internacional, especialmente dos Estados Unidos e da China, tem contribuído para a pressão nos preços. Os EUA, enfrentando a pior crise na pecuária em 75 anos, apresentam uma significativa redução em seu rebanho, devido a fatores como seca e custos elevados de produção. Em 2026, a China estabeleceu cotas de importação de carne bovina para proteger seus produtores locais.
Outro aspecto relevante é a guerra no Oriente Médio, que afetou os preços do petróleo e, consequentemente, os custos de produção no Brasil. Essa combinação de oferta restrita, demanda crescente e aumento nos custos gerou um aumento acentuado nos preços da arroba.
Em Mato Grosso do Sul, as exportações de carne bovina in natura cresceram 44,1% em receita no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025, totalizando US$ 488,2 milhões. O volume exportado também apresentou um aumento de 24,5%, alcançando 83,5 mil toneladas. A China continua sendo o principal destino das exportações, respondendo por 31,23% da receita total, com 26,841 mil toneladas adquiridas a um preço médio de US$ 5,68 por quilo.
No acumulado do primeiro trimestre, o estado SE posicionou como o quarto maior exportador de carne bovina no Brasil, representando 12,3% da receita nacional, que totalizou US$ 3,9 bilhões e 701,5 mil toneladas embarcadas.




