Na manhã de sexta-feira (3), um acidente aéreo em Campo Grande resultou na morte da pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff, de 45 anos. Lydia estava a bordo de uma aeronave que caiu logo após a decolagem do Aeroporto Santa Maria, na zona rural da cidade. Juntamente com ela, o piloto Henrique Martin também não sobreviveu ao impacto. Entre os pertences da pesquisadora, foram encontrados vários exemplares de seu livro, que relata suas experiências no Pantanal.
A obra, escrita em alemão, intitula-se "Ich glaub, mein Puma pfeift: Als Forscherin im reichsten Tierparadies der Welt", que em tradução literal seria "Acho que meu puma está assobiando: como pesquisadora no mais rico paraíso animal do mundo". No livro, Lydia compartilha suas aventuras em uma fazenda no Brasil, onde viveu por nove anos e dedicou-se a pesquisas de campo sobre tamanduás. Em suas páginas, a pesquisadora retrata a vida cotidiana em meio à natureza, incluindo desafios e prazeres, como abrir caminhos na vegetação e desfrutar de uma caipirinha.
Os livros de Lydia foram encontrados entre os destroços da aeronave, em uma área de mata próxima ao aeroporto. A presença dessas publicações chamou a atenção, pois elas constituem um legado importante da trajetória da pesquisadora no Brasil. Lydia era reconhecida como zoóloga, ecóloga tropical, bióloga comportamental e jornalista científica, possuindo mestrado em Zoologia pela Universidade de Bonn.
As causas do acidente ainda estão sendo investigadas. De acordo com o delegado Sam Suzumura, do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado, uma das hipóteses iniciais sugere que as condições climáticas adversas podem ter contribuído para a queda da aeronave. No entanto, uma análise técnica mais aprofundada será necessária para confirmar essa suspeita. A aeronave, que não possuía caixa-preta, era um modelo Neiva que não conta com esse tipo de equipamento, complicando a investigação.
A área onde ocorreu o acidente permanecerá isolada até que os técnicos do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, ligado à Força Aérea Brasileira, realizem a perícia. A expectativa é de que essa operação ocorra no sábado (4), com o suporte de peritos criminais, para que se possa entender as circunstâncias que levaram à tragédia.




