A Fifa implementou uma pausa obrigatória para hidratação em todas as partidas da Copa do Mundo, programada para ocorrer na metade de cada tempo. Esta decisão visa assegurar que os jogadores mantenham condições adequadas de desempenho durante o verão do hemisfério Norte, onde estão localizados os países-sede da competição: México, Canadá e Estados Unidos.
No Brasil, a medida já era adotada em casos de temperatura superior a 28ºC. No entanto, no Mundial, a pausa é obrigatória independentemente das condições climáticas, incluindo estádios com cobertura. O objetivo da Fifa é garantir que todos os jogos ocorram em igualdade de condições, mas essa decisão também levanta questões sobre o uso do tempo para propagandas.
Embora a necessidade de reidratação em condições extremas seja inegável, a autorização da Fifa para exibir comerciais durante as pausas trouxe críticas. O técnico da seleção do Uruguai, Marcelo Bielsa, expressou sua insatisfação, afirmando que a divisão do jogo em quatro tempos modifica a essência do futebol. Bielsa argumentou que essa mudança não apenas altera a dinâmica do jogo, mas também afeta a experiência dos torcedores.
Outro crítico da medida foi o treinador da França, Didier Deschamps, que, após um amistoso contra o Brasil em março, comentou que a interrupção de três minutos pode mudar completamente o andamento da partida, independentemente da equipe que esteja jogando bem no momento. Para Deschamps, essa interrupção traz um impacto negativo nas partidas.
Dados coletados das 28 primeiras partidas da Copa do Mundo, que incluem a primeira rodada e quatro jogos da segunda rodada, indicam que 78,6% dos jogos tiveram o fluxo interrompido pela pausa para hidratação. A análise de um jogo específico, entre Inglaterra e Croácia, realizado em Dallas, nos Estados Unidos, demonstra que, mesmo em um local coberto e sem calor excessivo, as paradas foram mantidas conforme o protocolo da Fifa.
No confronto, a Inglaterra levou quase dez minutos para se estabelecer em campo e começou a dominar as ações antes da pausa no primeiro tempo. No entanto, após os três minutos de reidratação, a Croácia conseguiu controlar a partida. Segundo a análise, 43% das 28 partidas observadas apresentaram uma inversão de domínio após as pausas, indicando que a novidade pode prejudicar equipes que jogam com mais continuidade e favorece aquelas que se beneficiam da pausa para recuperar o fôlego.




