Em uma vigília realizada em Barcelona na terça-feira (9), o Papa Leão XIV respondeu a questionamentos de três jovens sobre temas relacionados à saúde mental e ao perdão. Com uma abordagem marcada pela sensibilidade, ele abordou a busca por propósito e os traumas familiares, transmitindo uma mensagem de esperança.
O pontífice enfatizou que o desejo de felicidade é um presente divino e que a essência do ser humano está voltada para o infinito. Ele fez uma crítica ao foco excessivo em lucro, desempenho e imagem pessoal, que, segundo ele, atua como um 'anestésico' que impede as pessoas de perceberem as injustiças sociais e a necessidade do próximo. Para lidar com essas questões, Leão XIV sugeriu a prática do silêncio, a leitura do Evangelho e a procura por apoio em comunidades e líderes religiosos.
Durante a conversa, ao ouvir o relato de uma professora que tentou tirar a própria vida, o Papa destacou que a saúde mental enfrenta constantes ameaças nas sociedades contemporâneas, devido a pressões e expectativas muitas vezes irreais. Ele afirmou que Deus não deseja o sofrimento, mas que está presente para suportar aqueles que passam por momentos difíceis. Leão XIV incentivou que as pessoas não enfrentem a dor sozinhas, recomendando a busca por companhias que possam auxiliar em momentos de profunda escuridão.
Usando a figura da cruz, o Papa Leão XIV explicou que Deus não abandona os indivíduos, permanecendo 'crucificado' ao lado daqueles que sentem dor e solidão. Para ele, quando Deus parece distante, é o momento de clamar e confiar a Ele os fardos do coração. Ele advertiu sobre a 'espiritualização' superficial da dor, ressaltando que o sofrimento não deve ser minimizado como se fosse apenas a vontade divina.
O perdão, segundo o Papa, deve ser encarado como uma jornada de pequenos passos, e não como um ato imediato. Ele alertou que a leitura do Evangelho como uma obrigação pode gerar frustração em quem se sente incapaz de perdoar. Leão XIV explicou que perdoar não implica necessariamente restabelecer um relacionamento pleno com quem causou dor, mas sim rejeitar sentimentos de ódio e vingança, pedindo a Deus que transforme o ressentimento em compaixão gradualmente.
Questionado sobre a presença de Deus durante abusos na infância, o Papa esclareceu que a humanidade recebeu inteligência e liberdade, e que não se deve atribuir a responsabilidade por ações humanas a Deus. Ele afirmou que a violência e o individualismo são resultados das dinâmicas sociais e escolhas humanas, e que essas questões devem ser direcionadas à cultura da sociedade, não à negligência divina.




