A política do apartheid, um regime de segregação racial institucionalizado pelo Estado sul-africano entre 1948 e 1994, resultou no mais longo banimento de um país na história do esporte contemporâneo. Entre as décadas de 1960 e 1990, a nação foi completamente excluída das competições internacionais.
O isolamento da África do Sul ocorreu em etapas baseadas em decisões executivas da Fifa. Em 1961, a entidade máxima do futebol mundial aplicou a primeira suspensão oficial à Associação Sul-Africana de Futebol (FASA) por flagrante violação de seus estatutos antidiscriminatórios. Em 1963, o então presidente da Fifa, Stanley Rous, retira a sanção temporariamente sob o argumento de que a exclusão total prejudicaria o desenvolvimento do esporte no país.
Em 1964, a Fifa reintegra a suspensão por tempo indeterminado. Em 1976, após o Levante de Soweto, um protesto de jovens duramente reprimido pela polícia com dezenas de mortes, a Fifa decreta a expulsão formal e definitiva da África do Sul de todos os seus quadros. Em 1992, com o avanço do fim do apartheid e a criação de uma nova associação multirracial, o país é finalmente readmitido no futebol internacional.
A exclusão da África do Sul não se baseou apenas na política moral interna do país, mas no choque direto e fático entre as leis nacionais vigentes e os regulamentos do futebol. A legislação do apartheid exigia a separação física, geográfica e civil entre raças, o que inviabilizou a prática do esporte de alto rendimento nos moldes internacionais.




