Um comitê de ação política (PAC) recém-criado nos Estados Unidos, chamado American Priorities, tem como objetivo apoiar candidatos do Socialistas Democráticos da América (DSA), que representam a ala mais à esquerda do Partido Democrata. O PAC foi fundado em fevereiro de 2023 e planeja destinar mais de US$ 10 milhões para financiar as campanhas de seus candidatos nas eleições deste ano. Essa iniciativa surge como uma resposta ao Comitê de Assuntos Públicos Americanos-Israelenses (AIPAC), que historicamente apoia candidatos com posturas favoráveis a Israel.
Hannah Fertig, uma das fundadoras do American Priorities, destacou a intenção do grupo de refletir as novas posições da base democrata em relação à política externa, especialmente no que tange à situação na Faixa de Gaza e à ajuda militar incondicional dos Estados Unidos a Israel. Fertig, que é judia e possui experiência em campanhas presidenciais do senador Bernie Sanders, enfatizou a necessidade de mudança nas prioridades do partido.
Com o apoio financeiro do American Priorities, candidatos do DSA já conquistaram vitórias em primárias do partido, como no Colorado, onde Melat Kiros, de 29 anos, superou a deputada Diana DeGette, garantindo sua candidatura à Câmara dos Representantes. Além disso, em Nova York, o DSA também teve sucesso nas primárias, com as vitórias de Claire Valdez e Darializa Avila Chevalier, que desbancaram deputados democratas mais centristas.
Entretanto, o financiamento do American Priorities gerou descontentamento dentro do próprio Partido Democrata. Informações indicam que pré-candidatos do DSA foram acusados de receber apoio de um PAC que se beneficia de doações de um “megadoador republicano” com interesses alinhados a essa nova esquerda. A pauta palestina, que agora se tornou parte da identidade política dessa ala, é apoiada por diversos grupos, incluindo o movimento IfNotNow e o Peace, que atuam ao lado do DSA em protestos.
Adriana Melo, especialista em política, comentou que, por enquanto, não há indícios de que o DSA se tornará a maioria dentro do Partido Democrata. Contudo, ela ressaltou que uma minoria bem organizada e financiada pode deslocar o centro do partido, e o American Priorities representa a mudança de um apoio automático a Israel, que pode se tornar mais custoso politicamente para os democratas.
Melo também alertou que o risco à estrutura atual do Partido Democrata não se trata de uma revolução comunista, mas sim de um desafio ao equilíbrio tradicional, que envolve grandes doadores e uma política externa pró-Israel. O desconforto com essa nova dinâmica já é evidente dentro do partido, mostrando que o cenário político pode estar passando por uma transformação significativa.




