A Inteligência Artificial (IA) está iniciando uma nova fase na medicina brasileira, caracterizada pelo acompanhamento contínuo e seguro dos pacientes entre uma consulta e outra. Essa tecnologia não se limita a responder a perguntas, mas atua como uma extensão do cuidado médico, utilizando informações autorizadas e registradas no prontuário do paciente, sempre em conformidade com os protocolos clínicos e éticos estabelecidos pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).
O modelo foi apresentado em um podcast com o CEO da I4t, Alcir Abuchaim, e a endocrinologista Dra. Agnes Yule, que colaborou com a empresa para desenvolver um agente de IA que acompanha seus pacientes durante todo o tratamento. Esse sistema oferece orientações sobre exames, hábitos saudáveis, suplementação e evolução clínica, sem efetuar diagnósticos, prescrever medicamentos ou substituir as decisões médicas. Todas as recomendações estão vinculadas ao prontuário eletrônico e podem ser monitoradas pela médica responsável.
A Dra. Agnes Yule destaca que a proposta visa ampliar a presença do médico sem comprometer a responsabilidade clínica. Ela afirma que "a Inteligência Artificial trouxe uma presença que nenhum profissional consegue oferecer sozinho: estar ao lado do paciente todos os dias". A especialista ressalta que a tecnologia auxilia na compreensão da evolução do paciente e mantém o tratamento ativo entre as consultas, respeitando sempre os limites éticos. As decisões clínicas continuam sendo responsabilidade do médico, o que garante a segurança do paciente.
Durante a conversa, a Dra. Yule mencionou o aumento significativo no uso de medicamentos para emagrecimento sem acompanhamento profissional, que acarreta riscos como perda de massa muscular e deficiências nutricionais. A IA, nesse contexto, atua como uma ferramenta de cuidado, assegurando que os pacientes sejam monitorados de forma adequada e responsável.
Abuchaim enfatiza a importância da governança e da proteção dos dados, afirmando que "tecnologia sem arquitetura e sem segurança não pode cuidar de pessoas". O diferencial do agente de IA apresentado é que, ao contrário de plataformas abertas, ele opera em um ambiente privado, com acesso restrito às informações autorizadas do paciente. Essa abordagem segue princípios de governança, proteção de dados sensíveis e rastreabilidade das interações, em conformidade com normas internacionais de gestão da IA, como a ISO 42001.
A proposta ilustra como a Inteligência Artificial pode ser uma aliada da medicina, fortalecendo a relação entre médicos e pacientes, além de aumentar a adesão aos tratamentos e garantir mais segurança no uso das novas tecnologias. Assim, a tecnologia se consolida como uma ferramenta de apoio ao cuidado contínuo, sem substituir a visão clínica ou a responsabilidade profissional.




