Na manhã de segunda-feira (3), uma mulher de 40 anos, residente no Parque dos Laranjais, retornou à Casa da Mulher Brasileira em Campo Grande com hematomas visíveis. Ela relatou ter sido agredida e mantida em cárcere privado pelo ex-companheiro, que já possui três prisões por crimes relacionados à Lei Maria da Penha. A moradora destacou a necessidade de uma proteção mais robusta, afirmando: "A medida protetiva não é à prova de bala".
Durante as mais de três horas de atendimentos na unidade, que antecedem os 20 anos da Lei Maria da Penha, comemorados em 7 de agosto, diversas mulheres buscaram auxílio. Algumas compareceram para registrar ocorrências, enquanto outras procuraram orientação jurídica, atendimento psicológico e assistência social. Também houve aquelas que voltaram para solicitar a revogação da medida protetiva. A movimentação na Casa da Mulher Brasileira era moderada, com quatro servidoras realizando o acolhimento inicial e uma guarda municipal monitorando a entrada e saída de visitantes.
Após a triagem, as mulheres eram direcionadas à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), à Defensoria Pública ou para serviços de assistência social e atendimento psicológico. Uma mulher de 58 anos, que buscou a unidade para retirar a medida protetiva imposta contra o marido, afirmou que ele a trata bem e que a intervenção de seus filhos foi a causa do desentendimento. Ela foi alertada de que a revogação depende da análise do juiz, que avaliará se ainda há risco para a vítima.
Outra mulher chegou à Casa da Mulher Brasileira em uma bicicleta com o mesmo intuito, mas preferiu não fornecer detalhes sobre seu caso, apenas mencionando que havia feito um acordo com o ex-marido e desejava encerrar o processo. Ao contrário das que solicitaram a revogação da proteção, a moradora do Parque dos Laranjais buscava manter sua medida protetiva, uma vez que seu ex-companheiro havia danificado seu celular e já havia problemas relacionados a um imóvel no Bairro São Conrado.
Ela relatou que o portão da casa alugada, cujo valor é de R$ 500, foi danificado recentemente, e o caso já gerou registros policiais, continuando em acompanhamento. As situações observadas na Casa da Mulher Brasileira refletem um cenário alarmante em Mato Grosso do Sul, onde os índices de violência doméstica permanecem altos. Em 2025, foram registradas 21.962 ocorrências no Estado, e neste ano já são 12.060, com 4.024 casos apenas em Campo Grande. No ano anterior, a Capital havia contabilizado 7.870 ocorrências. Além disso, 2026 já soma 18 feminicídios no Estado.
A Lei Maria da Penha aborda a violência doméstica de forma ampla, englobando não apenas agressões físicas, mas também as modalidades psicológicas, sexuais, morais e patrimoniais que ocorrem nas relações familiares, afetivas ou de convivência.




