A recente venda do Consórcio Guaicurus para a empresa goiana HP Mobilidade gerou um cenário de incerteza entre os motoristas que atuam no transporte coletivo de Campo Grande. Após o anúncio feito pela prefeita Adriane Lopes, a categoria ainda não recebeu informações oficiais sobre a negociação, o que levou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande (STTCU-CG), Demétrio Freitas, a afirmar que soube da venda pela imprensa. Essa falta de comunicação provocou temor entre os motoristas, que se preocupam com possíveis mudanças que a nova gestão possa implementar.
Demétrio Freitas destacou que a chegada de uma nova empresa ao setor pode gerar insegurança, já que mudanças na administração costumam resultar em demissões. Ele enfatizou que a HP Mobilidade, por já atuar na área de transporte público, possui conhecimento das dificuldades enfrentadas. Apesar do receio, os motoristas mantêm a expectativa de que a nova gestão traga melhorias, como a garantia de salários pagos em dia.
Para que a HP Mobilidade assuma a operação do transporte coletivo em Campo Grande, é necessária a aprovação do Executivo Municipal. A prefeita Adriane Lopes afirmou que solicitará um cronograma detalhado de melhorias para avaliar a proposta da nova empresa. "Eu não vou aceitar se não houver mudança, que é o que venho cobrando", declarou a prefeita, ressaltando a importância de um plano de ação que atenda às necessidades do transporte na cidade.
Atualmente, o transporte coletivo de Campo Grande está sob intervenção da prefeitura, medida que começou em 16 de junho e que pode se estender por até 180 dias. Durante esse período, gestores nomeados pelo município assumiram o controle operacional, administrativo, financeiro e jurídico do serviço prestado pelo Consórcio Guaicurus. Essa intervenção ganhou força em novembro de 2025, quando uma ação popular levou a discussão ao Judiciário, que exigiu a abertura de um procedimento administrativo para verificar as justificativas da medida.
Uma comissão especial foi formada em março deste ano para analisar documentos financeiros e dados de fiscalização relacionados ao consórcio. O relatório final, concluído em 8 de junho, apontou a necessidade da intervenção. Entre os problemas identificados estão as 21.910 autuações aplicadas ao consórcio entre 2021 e 2025, das quais 12.279 estavam ligadas ao descumprimento de horários e 3.444 referiam-se a viagens não realizadas. Além disso, a comissão encontrou uma frota com idade média de 7,6 anos e 98 ônibus com mais de dez anos de uso, além de veículos parados devido à falta de peças e a ausência de seguros exigidos pelo contrato durante quase nove anos.




