No dia 23 de outubro, a Casa de Reza da comunidade Guarani Kaiowá Laranjeira Ñanderu, localizada em Rio Brilhante, foi palco da 'Expedição Justiça: Cidadania sem Fronteiras'. Este evento, que contou com a participação de diversos representantes de instituições públicas, teve como objetivo fornecer orientações e serviços à comunidade, além de promover uma escuta qualificada por parte do Ministério Público do Trabalho de Mato Grosso do Sul (MPT-MS).
A procuradora do Trabalho Juliana Mafra, à frente do Ofício Especializado de Povos Originários e Comunidades Tradicionais, destacou a importância de criar um espaço de diálogo com os moradores. O intuito era compreender as demandas locais e identificar potenciais violações de direitos enfrentadas pela comunidade, que tem uma história marcada por conflitos e vulnerabilidades.
A comunidade Laranjeira Ñanderu tem lutado há décadas para garantir a permanência em seu território tradicional. Desde 2019, a retomada desse espaço tem sido liderada principalmente por mulheres da aldeia, que iniciaram o processo ao atravessar cercas de propriedades vizinhas. Essa força feminina é um pilar significativo na história recente do grupo.
Durante a expedição, além dos atendimentos e escuta das demandas, o MPT-MS também fez a distribuição de mudas frutíferas, em parceria com o Viveiro Municipal de Campo Grande. Além disso, houve uma visita ao campus do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) em Dourados, onde foram identificadas dificuldades enfrentadas por crianças da aldeia.
Após a expedição, foi realizada uma visita à Escola Estadual Etalívio Pereira Martins, que recentemente foi instalada na aldeia para atender as necessidades educacionais dos moradores. O objetivo foi conhecer as condições do espaço, ouvir as demandas da comunidade escolar e verificar a adequação do ambiente de trabalho dos profissionais que atuam na unidade.
Esse encontro ilustra um passo importante na aproximação do Estado com a comunidade, evidenciando que o acesso à cidadania começa com a disposição de ouvir e atender as necessidades de grupos historicamente marginalizados. A escuta institucional se revelou um gesto concreto de reconhecimento e apoio em um contexto onde a luta pela permanência e pelos direitos continua sendo uma prioridade.




