Na comunidade Barra do São Lourenço, situada no Pantanal da Serra do Amolar, em Corumbá, a população indígena guató tem manifestado sua preocupação com a intensificação da presença de onças-pintadas nas proximidades de suas residências. A inquietação se intensificou após a soltura da onça conhecida como "Corumbela", ocorrida no dia 3 de maio. O pesquisador Jorge Eremites de Oliveira, da Universidade Federal de Pelotas, destaca que a comunidade vive em estado de alerta, especialmente durante o período de cheia, quando os felinos se aproximam ainda mais das casas.
Eremites relata que, nos últimos anos, a frequência de avistamentos de onças tem aumentado, com relatos de mais de cem cães mortos por esses animais na região nos últimos seis a dez anos. Apesar de não haver registros de ataques neste ano, a soltura de uma nova onça nas imediações tem gerado tensão entre os moradores. Há relatos de episódios recentes, como latidos de cães durante a noite, que indicam a possível presença de onças nas proximidades.
A comunidade, que se localiza na margem esquerda do Rio Paraguai e próxima ao encontro com o Rio São Lourenço, é acessível apenas por barco ou avião. Com aproximadamente 30 famílias, os guatós enfrentam não apenas o isolamento imposto pelas cheias, mas também a constante ameaça das onças. O cacique Denir Marques da Silva mencionou que os ataques a cães têm se tornado cada vez mais frequentes, com uma estimativa de pelo menos 20 cães mortos no ano anterior.
Esses ataques costumam ocorrer com maior intensidade durante as cheias, quando as áreas secas do Pantanal diminuem, forçando os animais silvestres a se aproximarem mais das habitações. O pesquisador Ângelo Rabelo, do Instituto Brasileiro, enfatiza a necessidade de medidas preventivas. Ele orienta que os moradores mantenham os cães presos durante a noite e em locais seguros, já que os animais domésticos podem atrair as onças ao reagirem a sua presença.
Para mitigar os riscos de aproximação de onças às residências, o Instituto de História e Patrimônio (IHP) recomenda diversas ações. Entre as orientações estão a manutenção de cães em abrigos seguros, a vigilância redobrada durante a noite e ao amanhecer, a eliminação de restos de comida ou lixo que possam atrair outros animais, e a utilização de sistemas sonoros que ajudem a afastar os felinos das casas. Essas iniciativas visam garantir a segurança dos moradores e a convivência harmoniosa com a fauna local.




