O partido Juntos pelo Peru, sob a liderança de Roberto Sánchez, anunciou uma mobilização em Lima para a próxima sexta-feira, 19, com o objetivo de "defender o voto popular" e contestar os resultados do segundo turno das eleições presidenciais, que atualmente mostram a candidata de direita Keiko Fujimori à frente com 99% dos votos apurados.
Em um comunicado divulgado na terça-feira, 16, a agremiação clamou por uma união abrangente de diversas forças democráticas, incluindo grupos políticos, sociais, trabalhistas, indígenas e juvenis, para fortalecer a Frente Popular Patriótica em suas bases. A mobilização, que o partido denomina de "grande mobilização nacional", está programada para ocorrer no Parque Campo de Marte, localizado no distrito de Jesús María, em Lima, e espera receber delegações de todas as regiões do país.
Antes do evento principal, a equipe de campanha de Sánchez, que concorreu em nome do ex-presidente Pedro Castillo, deposto e atualmente preso, planeja realizar vigílias e protestos pacíficos em diversas localidades do Peru a partir de quarta-feira, 17. O partido justifica a mobilização como uma resposta a uma alegada "falta de transparência" nos órgãos eleitorais, além de mudanças nas regras eleitorais durante o processo e uma série de "irregularidades" que, segundo eles, prejudicam a justiça eleitoral e a vontade do povo peruano.
Os aliados de Sánchez argumentam que "o voto dos cidadãos foi deslegitimado" e que existem "evidências" de uma vontade corporativa que contraria os interesses da maioria. O Juntos pelo Peru enfatiza que a governabilidade e o Estado de Direito são determinados pela integridade das eleições, destacando que não aceitarão um resultado que não reflita a vontade popular de maneira clara e sem controvérsias.
Roberto Sánchez também se manifestou em suas redes sociais, defendendo o direito à fiscalização democrática e à mobilização pacífica, que considera um direito constitucional. Ele afirmou que "só o povo pode salvar o povo" e que uma verdadeira democracia exige altos padrões de cidadania e justiça eleitoral.
Com a apuração do segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 7 de junho, a vantagem de Keiko Fujimori em relação a Roberto Sánchez aumentou para 33.432 votos, com 99,05% dos votos contabilizados até a terça-feira. Segundo a última atualização do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), Fujimori possui 50,092% dos votos, totalizando 9.125.179, enquanto Sánchez contabiliza 49,908%, com 9.091.747 votos.




