A ex-primeira dama Michelle Bolsonaro se manifestou nesta quarta-feira (29) sobre a rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Em suas redes sociais, ela compartilhou uma publicação que destacava a vitória da oposição e declarou: "A Justiça de Deus foi feita."
A rejeição de Messias representa uma derrota significativa para o governo, ocorrendo com um placar de 42 votos contrários e 34 favoráveis no Senado Federal. Para que a nomeação fosse aprovada, eram necessários pelo menos 41 votos, e o governo contava com o apoio de 45 senadores, enquanto a oposição alegava ter pelo menos 30 votos contra a indicação. A natureza secreta da votação gerou incertezas nas estimativas de apoio.
Após uma longa sabatina de oito horas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o resultado foi de 16 votos a favor e 11 contra a Indicação de Messias. A escolha do advogado-geral da União havia gerado tensão entre o Congresso e o governo desde sua indicação, feita em novembro do ano passado. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, apoiava outro nome, o de Rodrigo Pacheco.
A formalização da Indicação de Messias só ocorreu em abril, após o governo deliberar sobre a melhor estratégia para contornar as resistências. O advogado se esforçou para conquistar apoio, mas foi recebido por Alcolumbre apenas dias antes da sabatina. Essa rejeição é a primeira do tipo desde 1894, um evento raro na história do Senado, que já rejeitou apenas cinco indicações ao STF em 132 anos.
Messias foi o terceiro indicado pelo presidente Lula durante seu mandato atual, seguindo Cristiano Zanin e Flávio Dino, que foram aprovados. Diante da negativa, cabe ao presidente da República buscar um novo nome para a vaga. O clima de tensão entre o Senado e o Executivo foi palpável, especialmente após a Indicação de Messias em 20 de novembro do ano passado.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência, comentou que essa situação representa uma vitória da oposição, embora tenha evitado traçar paralelos diretos com as eleições de 2026. "Não estou comemorando nada, mas é uma vitória da oposição. É histórico e é um bom sinal de que a democracia pode voltar a respirar", afirmou.




