Em sua visita a Lisboa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que Portugal pode ser o principal ponto de acesso para as empresas brasileiras na Europa. A declaração foi feita em um contexto que considera a entrada em vigor do Acordo Mercosul-União Europeia, marcada para o dia 1º de maio.
Lula se encontrou pela primeira vez com o presidente de Portugal, António José Seguro, que assumiu o cargo em 9 de março. Após a reunião no Palácio Nacional de Belém, o presidente brasileiro almoçou com o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, no Palácio São Bento.
Durante a conversa, Lula defendeu a necessidade de integração econômica entre os dois países e a ampliação da presença das empresas brasileiras em território português. Ele citou o exemplo da Embraer, que possui um parque industrial em Évora desde 2012, como um modelo de sucesso. "A gente pode repetir vários acontecimentos, como a Embraer, aqui em Portugal. A Embraer é a demonstração mais bem-sucedida de uma empresa brasileira que está aqui ajudando a construir coisas em Portugal", destacou o presidente.
A balança comercial entre Brasil e Portugal alcançou um total de US$ 4,5 bilhões em 2025, com o Brasil apresentando um superávit de US$ 2 bilhões. Além do setor aeronáutico, as empresas brasileiras têm investido em áreas como siderurgia, máquinas e equipamentos, enquanto Portugal se destaca como fornecedor de petróleo e gás, além de atuar em infraestrutura e no setor elétrico.
A visita também abordou a presença da comunidade brasileira em Portugal, que atualmente soma mais de 500 mil imigrantes. O primeiro-ministro português comentou sobre a integração dos brasileiros no país, afirmando que eles têm buscado oportunidades e contribuído para o desenvolvimento local, embora tenha reconhecido que houve alguns incidentes isolados envolvendo a comunidade.
Ao longo do dia, em frente ao Palácio de Belém, manifestantes brasileiros e portugueses se reuniram em apoio e protesto ao presidente Lula. A Rádio e Televisão de Portugal (RTP) informou que as concentrações foram organizadas por meio de grades e fitas da polícia, sem registros de confrontos.


