Um estudo demográfico realizado na Alemanha e na Áustria concluiu que homens pertencentes a ordens religiosas apresentam uma expectativa de vida média cinco anos superior à da população masculina geral. A pesquisa, que acompanhou milhares de religiosos, destaca a importância da vida comunitária e de uma rotina bem estruturada como fatores fundamentais para essa longevidade.
A vida monástica, segundo a pesquisa, diminui riscos que normalmente encurtam a vida dos homens. As comunidades religiosas proporcionam uma rotina organizada, com horários fixos para trabalho, alimentação e oração. Esse ambiente estruturado gera estabilidade emocional, reduzindo o estresse crônico e promovendo o bem-estar físico e mental, resultando no que os cientistas consideram um envelhecimento bem-sucedido.
Dentro dos mosteiros, os membros cuidam uns dos outros, permitindo que qualquer declínio físico ou mental seja detectado e tratado de forma precoce. Além disso, o forte senso de propósito compartilhado e os relacionamentos duradouros funcionam como uma rede de proteção contra solidão e abandono, fatores que frequentemente afetam a saúde de idosos fora dessas comunidades religiosas.
Um dado curioso é que a tradicional vantagem das mulheres em relação à expectativa de vida quase desaparece no ambiente monástico. Enquanto na sociedade em geral as mulheres vivem significativamente mais, dentro dos mosteiros essa diferença se reduz a cerca de um ano. Isso sugere que a menor longevidade dos homens fora das ordens religiosas pode estar mais relacionada a comportamentos e estilo de vida do que a fatores biológicos.
Entretanto, especialistas e religiosos afirmam que a vida consagrada não é sinônimo de tranquilidade plena. Muitos monges e freiras que alcançam longevidade enfrentaram contextos desafiadores, como guerras, privações e perseguições religiosas. O que se destaca não é a ausência de problemas, mas sim a força para perseverar, o equilíbrio entre silêncio e convivência, além do apoio espiritual contínuo.
Essas descobertas fazem parte do Estudo Alemão-Austríaco sobre Claustros, iniciado em 1997. Os pesquisadores analisaram a vida de 16.600 membros de ordens religiosas, utilizando questionários modernos e arquivos históricos que remontam a 1890. Devido à semelhança nas dietas e hábitos, monges e freiras se tornam o grupo ideal para isolar as causas reais da longevidade.




