O Tribunal do Júri de Dourados proferiu uma decisão nesta terça-feira (2) que afastou a acusação de tentativa de homicídio contra Lucas Henrique Ribeiro, de 33 anos. Em vez disso, o jurado optou por condená-lo por lesão corporal grave e posse irregular de arma de fogo. O episódio remonta a 14 de abril de 2019, quando Lucas atirou contra Willian Martins da Silva durante uma discussão em uma conveniência localizada no Jardim Canaã III.
Durante o julgamento, os jurados chegaram à conclusão de que Lucas não tinha a intenção de matar a vítima. Diante disso, o caso foi reclassificado de um crime contra a vida para lesão corporal grave. O juiz Ricardo da Mata Reis impôs uma pena de um ano e três meses de reclusão pela agressão, além de um ano de detenção pela posse da arma utilizada no incidente. O regime inicial da pena foi estabelecido como aberto.
A confusão teve início quando Willian informou que o bar encerraria o atendimento e não venderia mais cerveja. Após essa informação, Lucas se retirou do local em sua motocicleta, retornando posteriormente armado. De acordo com a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), Lucas chamou Willian para o portão da residência que ficava nos fundos da conveniência e disparou contra ele, atingindo o tórax e a perna esquerda.
Willian sobreviveu ao ataque graças ao atendimento médico imediato, mas sofreu ferimentos graves, conforme evidenciado pelo laudo que indicou um afastamento de suas atividades habituais por mais de 30 dias. Testemunhas relataram que ele ficou internado por duas semanas após o incidente.
Durante seu depoimento, Lucas admitiu ter atirado, mas afirmou que não tinha a intenção de matar a vítima. Ele alegou que voltou ao local para esclarecer a discussão e disparou porque acreditou que seria atacado. No entanto, essa versão não convenceu os jurados nem o juiz, que destacou que nenhuma testemunha corroborou a existência de uma faca, conforme mencionado pelo acusado como justificativa para sua ação.
Após o atentado, Lucas se apresentou à polícia e entregou o revólver calibre 38 utilizado no crime, que estava sem registro. O processo estava em andamento desde 2020 e, após recursos da defesa, foi levado ao Tribunal do Júri, que decidiu desclassificar a acusação inicial de tentativa de homicídio. Lucas agora poderá recorrer da condenação em liberdade.




