O juiz Renato Antonio de Liberali, atuando na 11ª Vara Cível de Campo Grande, decidiu pela rejeição do pedido do antigo proprietário que buscava anular a venda de um imóvel localizado no bairro Jockey Clube. Na sentença, o magistrado reconheceu que o ex-dono atuou como laranja em uma fraude financeira, o que resultou na validação do leilão realizado. O casal vencedor do certame, José Ferreira Filho e Márcia Vilela Furtado Ferreira, obteve a propriedade, que possui um valor de mercado estimado em R$ 900 mil, arrematada por apenas R$ 336 mil em maio de 2024.
Matheus Brunet da Mota, antigo proprietário do imóvel, alegava que o banco não havia realizado a notificação adequada sobre a dívida antes da venda do bem. No entanto, investigações conduzidas pelo Ministério Público Estadual e pela Polícia Civil revelaram que Matheus nunca residiu na propriedade e havia cedido seu nome para que outra pessoa realizasse o financiamento. Durante o processo investigativo, Matheus confessou que havia feito o negócio a pedido de um parente e que não tinha conhecimento dos detalhes do imóvel.
De acordo com as apurações, foram identificados indícios de crimes como estelionato e falsidade ideológica. O Ministério Público determinou que a investigação prosseguisse através da Dedfaz (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Defraudações, Falsificações, Falimentares e Fazendários), com novas diligências. O promotor de justiça responsável pelo caso solicitou que a Polícia Civil não apenas investigasse os envolvidos no financiamento fraudulento, mas também colhesse o depoimento do advogado Alysson Vieira Santos, que assina a ação, para esclarecer sua relação com os indivíduos que tentavam manter a posse do imóvel de maneira irregular.
Enquanto as investigações criminais estão em andamento, os novos proprietários do imóvel buscam na 3ª Vara Cível uma ordem de despejo para poder ocupar a residência. A defesa do antigo proprietário tenta impedir a desocupação, alegando que planeja recorrer ao Tribunal de Justiça e que o local atualmente é ocupado por terceiros que não integram o processo. A reportagem também tentou contato com o advogado do autor acusado de fraude, mas ainda aguarda retorno.




