Nesta quarta-feira (22), o Irã expressou desdém em relação à extensão indefinida do cessar-fogo anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na terça-feira (21). O regime iraniano argumenta que a continuidade do bloqueio naval imposto por Washington equivale a um ato de guerra, o que poderia justificar uma resposta militar.
Mahdi Mohammadi, assessor sênior do presidente do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o anúncio de Trump "não significa nada", enfatizando que "o lado perdedor não pode ditar as regras". Ele descreveu a persistência do bloqueio americano aos portos iranianos como um "cerco", que, segundo ele, "não é diferente de um bombardeio".
Mohammadi também sugeriu que a prorrogação do cessar-fogo seria uma "estratégia para ganhar tempo para um ataque surpresa", e declarou que é chegado o momento para que o Irã tome a iniciativa. A trégua, que inicialmente terminaria na noite de terça-feira (21), foi estendida por Trump sem um prazo definido.
No anúncio feito por Trump, foi mencionado que, devido à fragmentação do governo iraniano, a pedido do marechal de campo Asim Munir e do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, o ataque ao Irã seria suspenso até que uma proposta unificada fosse apresentada por seus líderes. O presidente americano também ordenou que as Forças Armadas mantivessem o bloqueio e estivessem prontas para agir, enquanto a extensão do cessar-fogo permanecia em vigor.
Embora a trégua tenha sido anunciada, a agência Reuters reportou que pelo menos três navios com contêineres foram atingidos por disparos iranianos no Estreito de Ormuz, de acordo com autoridades de segurança marítima. Essa situação indica um ambiente de tensão que ainda persiste na região.
Além disso, não há data definida para uma nova rodada de negociações, após o vice-presidente americano, J. D. Vance, ter cancelado uma viagem ao Paquistão, diante da exigência do Irã de que as conversas só ocorreriam com o levantamento do bloqueio naval.




