Os rios de Bonito, reconhecidos mundialmente pela transparência de suas águas, serão alvo de um monitoramento científico que buscará avaliar a qualidade da água e a presença de microplásticos, metais e contaminantes emergentes. O projeto, coordenado pela professora Alexeia Barufatti, da Faculdade de Ciências Biológicas e Ambientais da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), visa identificar os impactos das atividades humanas sobre os ecossistemas aquáticos. Além disso, pretende fornecer dados que auxiliarão na conservação ambiental e na gestão dos recursos hídricos da região.
Intitulado "Monitoramento e avaliação da integridade ambiental em ecossistemas aquáticos em Bonito, no Estado de Mato Grosso do Sul", o projeto terá duração de dois anos e realizará oito campanhas de campo a partir do segundo semestre de 2026. Bonito é considerado um dos principais destinos de ecoturismo do Brasil, com sua fama construída em torno das águas cristalinas que abastecem rios, nascentes, cachoeiras e grutas.
A pesquisa irá monitorar 20 pontos nos rios Formoso, Prata, Mutum e Mimoso, além de córregos como Bonito, Formosinho, Saladeiro, Taquara, Piquitito, Laudejá, Olária e Pitangueiras. A escolha dos locais foi feita pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Bonito, levando em conta a presença de nascentes, áreas sob influência de atividades humanas e a proximidade de estações de tratamento de esgoto.
Os parâmetros que serão analisados incluem aspectos físico-químicos da água, metais e metaloides, ecotoxicidade, uso e ocupação do solo, além da presença de contaminantes emergentes e microplásticos. Também será avaliado o impacto genético em peixes, permitindo um diagnóstico mais abrangente da integridade ambiental dos ecossistemas da região.
A professora Alexeia Barufatti destaca a importância da qualidade dos recursos hídricos para Bonito, afirmando que a identidade e a economia da cidade estão atreladas à pureza de suas águas. A pesquisa contará com a colaboração de quatro universidades, com cada instituição contribuindo em sua área de especialização. A UFGD ficará responsável pela coordenação do projeto e pela avaliação dos dados relacionados à ecotoxicologia, genotoxicidade e análises integradas.
Outras instituições envolvidas incluem a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), que se concentrará em estudos de toxicologia ambiental, a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), responsável pela química analítica e análise de contaminantes, e a UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), que analisará metais. As parcerias já estão consolidadas, fruto de projetos anteriores em conjunto, e agora a equipe poderá aplicar essa experiência na bacia hidrográfica dos rios de Bonito, atuando de maneira integrada.




