Em Arraial do Cabo, um dos locais de mergulho mais preservados do litoral brasileiro, pesquisadores estão realizando um censo marinho para contagem e identificação de peixes. Com profundidades variando entre 7 e 8 metros, os mergulhadores utilizam equipamentos específicos para delimitar áreas de 20 metros, anotando as quantidades e espécies encontradas. Durante essa atividade, é comum a presença de tartarugas marinhas, que se juntam aos pesquisadores. Os especialistas, com amplo conhecimento das espécies, frequentemente dispensam a consulta a catálogos para identificação, utilizando também uma cartela para observar a coloração dos corais, fator importante para avaliar a saúde do ecossistema marinho.
Esse censo, que ocorre a cada seis meses em Arraial do Cabo e também nos litorais de Cabo Frio e Búzios, será realizado anualmente em Angra dos Reis, na Costa Verde. A ação faz parte do Projeto Costão Rochoso, desenvolvido pela Fundação Educacional Ciência e Desenvolvimento, em colaboração com a Petrobras. O conceito de costão rochoso refere-se ao ecossistema que se forma na transição entre o mar e o continente, caracterizado por pedras e paredões, muitos dos quais estão submersos. Esses ambientes são fundamentais para a fauna local, servindo de abrigo e alimentação tanto para a vida marinha quanto para aves que habitam as áreas entremarés.
Os costões rochosos se estendem ao longo do litoral, desde a parte superior do Rio Grande do Sul até o Espírito Santo, com alguns fragmentos encontrados em diferentes regiões. A diversidade biológica presente nesses locais é crucial para a Conservação da Biodiversidade, e as iniciativas de monitoramento buscam garantir a integridade dessas áreas. A autoridade municipal de Arraial do Cabo também expressou seu comprometimento com a fiscalização e o sucesso das políticas públicas na Reserva Extrativista Marinha, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
A parceria entre o Projeto Costão Rochoso e a Petrobras teve início em 2023 e foi renovada em 2026, com um investimento total de R$ 6 milhões para o novo ciclo de quatro anos. Ana Marcela Bergamasco, gerente de projetos da Petrobras, destacou a importância de aliar interesses ambientais e sociais nas parcerias realizadas pela empresa. Ela enfatizou que a conservação não deve ser vista como um obstáculo à atividade econômica, mas sim como uma oportunidade para que ambas as áreas possam coexistir e se beneficiar mutuamente.
Esse enfoque visa fomentar o turismo de base comunitária, envolvendo as comunidades locais nas práticas de pesca e conservação, promovendo um desenvolvimento sustentável. Assim, o projeto não apenas contribui para a proteção dos costões rochosos e da biodiversidade marinha, mas também para o fortalecimento das economias locais, buscando um equilíbrio entre preservação ambiental e desenvolvimento social.




