O avanço do plantio de eucalipto no leste de Mato Grosso do Sul tem provocado sérios impactos nas nascentes dos rios e nas atividades agrícolas da região. Pequenos produtores relatam prejuízos na produção de hortaliças, especialmente alface, além de dificuldades enfrentadas por apicultores devido à diminuição de colmeias. Esses relatos foram apresentados em uma audiência pública sobre a expansão da silvicultura, coordenada pelo deputado estadual Zeca do PT.
Durante o debate, especialistas apontaram que a expansão acelerada do eucalipto pode gerar mudanças ambientais significativas. O professor Mauro Henrique Soares da Silva, da UFMS, destacou que a formação de grandes áreas de monocultura altera o equilíbrio natural do ambiente, afetando a umidade do solo, a dinâmica da água e a biodiversidade, impactando diretamente as atividades agrícolas da região.
Valcitinez Santiago, subsecretário de Meio Ambiente de Selvíria, apresentou imagens de satélite que mostram nascentes comprometidas pelo plantio de eucalipto próximo a assentamentos rurais. Ele defende a necessidade de uma revisão na legislação ambiental para estabelecer uma distância mínima de 500 metros entre plantações de eucalipto e áreas habitadas ou produtivas de pequenos agricultores, visando proteger comunidades rurais e os recursos hídricos.
A área de eucalipto plantada no estado aumentou 500% nos últimos dez anos, alcançando 1,75 milhão de hectares em 2025, conforme a Semadesc. As monoculturas florestais influenciam o microclima regional, gerando impactos indiretos na agricultura e na fauna local.




