A nova alta do preço do petróleo fez com que o governo federal decidisse adiar a retirada do subsídio de R$ 0,44 por litro da gasolina. Embora a medida estivesse prevista para ser anunciada nesta semana, as tensões no Oriente Médio e o aumento do preço do barril motivaram o Ministério da Fazenda a optar por uma abordagem cautelosa.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, revelou que tinha a intenção de comunicar o fim da subvenção, mas a recente elevação do preço do petróleo, que voltou a atingir a marca de US$ 80 por barril, levou a essa decisão. Em entrevista à Rádio Gaúcha, Durigan comentou sobre a necessidade de agir com prudência: “Ontem, o preço do barril do petróleo voltou a subir para US$ 80, então, temos que ter cautela para retirar o subsídio”.
A análise da questão será retomada na próxima semana, e a retirada do subsídio poderá ser parcial ou total, dependendo do comportamento dos preços e do cenário internacional. O subsídio atualmente é utilizado pelo governo para mitigar o impacto da alta dos preços do petróleo no mercado brasileiro, com o objetivo de evitar uma pressão adicional sobre a inflação e o encarecimento de produtos e serviços.
Entretanto, a possível retirada do benefício não implica um aumento automático de R$ 0,44 no preço da gasolina ao consumidor, uma vez que o valor nas bombas é afetado por diversos fatores, incluindo a política de preços das refinarias, impostos, a mistura de biocombustíveis e as margens da cadeia de distribuição e revenda.
Apesar da deterioração do cenário internacional, Dario Durigan ressaltou que os planos do governo de aumentar a participação dos biocombustíveis permanecem inalterados. A Lei 14.993, conhecida como Lei do Combustível do Futuro, permite a elevação do percentual de etanol anidro misturado à gasolina para até 35%, desde que haja comprovação de viabilidade técnica. Durigan também indicou que o governo não descarta a possibilidade de propor percentuais ainda maiores no futuro.
Para o ministro, a instabilidade no mercado internacional reforça a estratégia do Brasil de ampliar o uso de fontes renováveis e diminuir a dependência de combustíveis fósseis.




