O narcotraficante Gerson Palermo, de 68 anos, prestou depoimento nesta quinta-feira (28) a partir da Penitenciária Federal de Campo Grande, onde se encontra isolado desde as 10h30. O interrogatório ocorreu por videoconferência e faz parte de um processo que investiga Palermo como mandante do sequestro de sua própria filha. Durante a audiência, ele negou as acusações, que envolvem sua participação no crime.
No mesmo dia, o Fórum de Campo Grande também ouviu Reinaldo Silva de Farias, co-réu no caso, acusado de ter ajudado na execução do sequestro. A esposa de Palermo e mãe da vítima, Silvana Melo Sanches, foi ouvida como testemunha. Silvana, que não estava mais com Palermo na Bolívia no momento de sua prisão, compareceu ao fórum e seu depoimento durou cerca de 30 minutos.
A defesa de Reinaldo, representada pela advogada Herika Cristina dos Santos Ratto, afirmou que seu cliente nega qualquer envolvimento no crime. “O Reinaldo nega. Ele esclareceu que não houve essa extorsão mediante sequestro”, disse a advogada. A audiência foi agendada com antecedência, coincidentemente um dia após a transferência de Palermo da Bolívia para Mato Grosso do Sul, que ocorreu sob forte esquema de segurança da Polícia Federal e da força antidrogas boliviana.
Gerson Palermo foi preso em Santa Cruz de la Sierra na terça-feira (26) e chegou a Campo Grande na tarde do dia 27, transportado em uma aeronave da Polícia Federal, sem rastreamento público. Ele é apontado como uma liderança do Primeiro Comando da Capital (PCC) e estava foragido desde 2020, somando aproximadamente 126 anos em condenações por crimes como tráfico internacional de drogas, Assaltos e Sequestros.
Um dos episódios mais notórios de sua carreira criminosa ocorreu em agosto de 2000, quando liderou o sequestro de um Boeing 727 da Vasp, que realizava o trajeto Foz do Iguaçu-Curitiba. Durante o sequestro, a tripulação e os passageiros foram rendidos e obrigados a pousar em um local determinado. No atual caso, Palermo teria se comunicado com o avô materno da vítima e com o genro, informando que nada aconteceria à filha caso o dinheiro fosse devolvido, alegando estar ameaçado.
A jovem foi libertada na região das Moreninhas, após conseguir contatar o marido a partir de uma loja de conveniência. A Polícia Civil confirmou que ela declarou aos investigadores que seu pai havia ordenado o sequestro e que Palermo estava escondido na Bolívia com a mãe dela. A prisão do narcotraficante foi resultado de uma investigação conjunta entre a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, a Polícia Federal e a Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico (FELCN) boliviana.




