Na madrugada de segunda-feira (20), um grupo armado resgatou três detentos do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, em Campo Grande. O incidente expôs falhas significativas nos protocolos de segurança da unidade, conforme alertou o Sinsap (Sindicato dos Servidores da Administração Penitenciária do Estado de Mato Grosso do Sul). A entidade anunciou que irá solicitar ações imediatas da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) em resposta à invasão.
Seis homens participaram da ação, que envolveu o corte do alambrado e a arrombamento dos cadeados da cela onde estava Ítalo de Moraes, um dos fugitivos e sobrinho de José Cláudio Arantes, conhecido como Tio Arantes, uma figura proeminente do PCC (Primeiro Comando da Capital) no estado. Além de Moraes, outros dois detentos, Thiago Pereira Costa e Bruno Araújo da Silva, também foram retirados da unidade penal durante a operação.
Essa fuga não é um evento isolado. Em novembro de 2021, José Cláudio Arantes havia escapado do mesmo Centro Penal Agroindustrial e foi recapturado na Bolívia em 2023. Para o Sinsap, a falta de regulamentação da carreira da Polícia Penal impede a implementação de protocolos de segurança adequados e a formação de equipes de resposta rápida para situações de emergência, como a ocorrida na Gameleira. A entidade criticou a gestão atual, que tem utilizado decretos para regular as atividades dos servidores, em vez de uma legislação específica.
Os policiais penais relataram ao Campo Grande News que, no plantão, contavam com no máximo sete servidores para monitorar cerca de 1,6 mil presos, o que resulta em uma média de 228 detentos por agente. Os servidores expressaram indignação com a possibilidade de que a responsabilidade pelo episódio recaísse sobre aqueles que estavam de serviço no momento do resgate. Para eles, a situação não deve ser considerada uma fuga convencional.
André Luiz Garcia Santiago, presidente do Sinsap, ressaltou que o episódio da Gameleira é um alerta para possíveis ocorrências ainda mais graves. Ele criticou a atual administração por não priorizar a segurança e a integridade física dos policiais penais. A entidade também se opõe à criação de novas unidades prisionais e à ampliação das atribuições da categoria sem o aumento correspondente no número de servidores, o que agrava a já existente deficiência de pessoal no sistema penitenciário estadual.
A Agepen confirmou a fuga de Ítalo de Moraes, Bruno Araújo da Silva e Thiago Pereira Costa, mas afirmou que não houve confronto ou uso de armas durante a invasão. Em nota, a agência informou que a estrutura de contenção foi restabelecida e que um procedimento administrativo foi iniciado para investigar o caso. Além disso, as forças de segurança estão em busca pelos fugitivos, e a Justiça foi notificada para a expedição dos mandados de prisão.




