Em uma entrevista realizada nesta terça-feira (2) à Radio Itatiaia, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) comentou sobre seu encontro com Donald Trump, onde fez um pedido direto ao presidente dos Estados Unidos: que não sejam impostas taxas sobre empresas brasileiras. Flávio afirmou: "Eu pedi expressamente 'não taxem as empresas brasileiras'. Em 2027 vocês vão ter um governo que vai sentar aqui com vocês, vai negociar de igual para igual. O nosso agro alimenta o mundo e não é justo taxar as nossas empresas".
A declaração do senador surge um dia após o Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) ter sugerido a aplicação de uma tarifa de 25% sobre a importação de todos os produtos provenientes do Brasil, exceto commodities estratégicas. A proposta busca enfrentar práticas que são consideradas prejudiciais aos interesses dos EUA, conforme descrito na nota do órgão.
Flávio Bolsonaro também mencionou a importância de valorizar tecnologias brasileiras, citando o sistema de pagamentos Pix, que tem gerado tensões comerciais entre os dois países. O setor bancário se manifestou contra o privilégio concedido ao Banco Central (BC) em relação a esse método de pagamento. A aproximação ideológica entre Flávio e Trump fez com que opositores sugerissem que o senador acabaria com o Pix caso fosse eleito, algo que ele nunca propôs.
"Temos que valorizar a nossa tecnologia, o nosso Pix, o nosso etanol, que é uma energia limpa. A gente tem que incentivar esse nosso capital que é o etanol. Nós temos tudo para sentar de igual para igual", defendeu.
Em agosto de 2025, o Brasil já havia enfrentado um "tarifaço", quando produtos brasileiros foram taxados em 50%. Essa ação ocorreu em um contexto em que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, foi sancionado pela Lei Magnitsky. Embora a sanção contra Moraes tenha sido revogada e as tarifas suspensas no final do ano, os desdobramentos ainda repercutem.
Após a divulgação do relatório do USTR, o BC mencionou a modalidade 163 vezes em seu relatório de cidadania financeira de 2025. O presidente Lula tem utilizado o Pix como ferramenta para investir em sua agenda. O governo brasileiro agora busca estabelecer um canal de diálogo com Trump, na tentativa de reverter essa decisão, que é vista como uma ameaça a relações comerciais.




