A artista visual Ágatha Francelino, que assina suas obras como Agatharte, traz à tona em seu trabalho a memória e a ancestralidade, com foco nos vínculos familiares. Acadêmica do oitavo semestre de Artes Visuais da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), ela participa da exposição Tierra Zanta, que é organizada pelos acadêmicos do Centro Acadêmico de Artes Visuais (AAAAV) e integra a programação do Festival Sangue Latino, promovido pela sociedade artística O Corpocidade. A mostra está aberta ao público no Casarão Thomé, em Campo Grande, até este domingo.
Na exposição, Ágatha apresenta um políptico intitulado “MariaAna Políptico”, composto por quatro pequenas obras em aquarela sobre papel. A proposta busca conectar o público a elementos do cotidiano e da memória de diversas famílias latino-americanas, transformando objetos e situações aparentemente simples em símbolos de identidade e pertencimento. "A ideia das obras vem da ancestralidade que nossas casas latino-americanas carregaram e seus ícones que se tornam símbolos de identidade, que às vezes acabam passando despercebidos. Quando colocados como forma de arte, eles trazem essa proximidade", explica a artista.
A inspiração para a obra deriva das lembranças da infância de Ágatha na casa de sua avó, que possui linhagem indígena, e dos elementos que marcaram aquele período, como o fogão a lenha e as brincadeiras de rua. Além de resgatar memórias pessoais, a artista também busca destacar a força das mulheres como fundamentais na formação da identidade e da memória familiar. O formato de políptico foi escolhido para reforçar a ideia de que as pessoas podem ser vistas como casas, que abrigam histórias e ancestralidades.
Para Ágatha, participar da exposição Tierra Zanta é uma chance de levar suas memórias individuais a um debate coletivo acerca da identidade e cultura latino-americana, especialmente sob a perspectiva sul-mato-grossense. "Participar de uma exposição que traz essa forte intencionalidade de identidade e valor latino sul-mato-grossense aquece o coração. Nos faz entender que a arte ainda está viva e nos convida a refletir sobre questões que às vezes se tornam despercebidas, mas que dizem muito sobre quem somos", afirma a artista.
Em busca de formação artística contínua, Agatharte vê na experiência uma oportunidade de usar a arte como meio de reflexão e educação. "Espero poder continuar a dizer sobre essas pautas importantes, seja em exposições ou até em forma de arte educadora", conclui.
A exposição Tierra Zanta permanece disponível para visitação até este domingo, no Casarão Thomé, em Campo Grande, como parte do Festival Sangue Latino.




