A recente detenção da Irmã Leticia "Letty" Ugboaja, por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), tem provocado uma onda de preocupação nas comunidades católicas que atuam com imigrantes. Em entrevista ao programa "EWTN News In Depth", Irmã Norma Pimentel, diretora executiva da Caritas Católica do Vale do Rio Grande, relatou os impactos emocionais que a situação gerou, ressaltando que a experiência deixou marcas profundas e acentuou os temores relacionados à aplicação das leis de imigração.
Ugboaja, natural da Nigéria, tem dedicado quase duas décadas de sua vida a servir na Diocese de Brownsville, onde é conhecida por seu trabalho com famílias imigrantes e de baixa renda. Em 2019, ela teve seu pedido de asilo negado, mas conseguiu proteção contra a remoção para seu país de origem com base na Convenção das Nações Unidas Contra a Tortura, devido ao risco de sofrer tortura ao retornar. Apesar disso, a religiosa ainda enfrenta o risco de ser enviada para um terceiro país, conforme afirma seu advogado, Carlos Garcia, que destaca que ela está autorizada legalmente a trabalhar nos Estados Unidos e cumpriu todos os requisitos de imigração.
Na entrevista, Pimentel expressou sua preocupação imediata com o bem-estar de Ugboaja, que, segundo informações de um padre, estava bastante assustada e chorando após a detenção. A irmã imediatamente procurou um contato no ICE para entender a situação e acompanhar a religiosa durante o processo.
"Ela é uma pessoa maravilhosa", afirmou Pimentel, que destacou que Ugboaja estava a caminho da igreja quando foi abordada pelas autoridades. A detenção gerou um intenso debate sobre a necessidade de um sistema que diferencie imigrantes que contribuem para a sociedade daqueles que representam riscos à segurança pública.
Pimentel enfatizou a importância de estabelecer "procedimentos legais seguros" que permitam aos imigrantes que não representam ameaça buscar status legal nos Estados Unidos. Ela expressou sua esperança de que caminhos legais permaneçam abertos para requerentes de asilo que não coloquem em risco a segurança pública. "Acho que esses caminhos legais precisam ser estabelecidos para indivíduos que contribuem positivamente para o nosso país", destacou.
O caso de Ugboaja não é isolado e reflete a crescente insegurança vivida por imigrantes, especialmente aqueles que atuam em comunidades vulneráveis. As autoridades e defensores dos direitos dos imigrantes continuam a pressionar por mudanças que garantam a proteção e a dignidade dessas pessoas diante das rigorosas leis de imigração em vigor.




