O Parque do Sóter, localizado na Mata do Jacinto, é um espaço que sempre fez parte da vida de Silmara Brito Borges, de 52 anos. Moradora da região há cerca de 20 anos, ela guardou a expectativa de aproveitar o local após a aposentadoria, que ocorreu há dois anos. Desde então, a rotina de Silmara inclui aulas de ioga e pilates no parque. Ela se recorda de prometer a si mesma que, ao se aposentar, passaria a frequentar aquele espaço para cuidar da saúde e aproveitar a vida. "Eu sempre quis essa qualidade de vida, de poder cuidar do corpo e da mente. Porque eu acho que a gente não precisa aposentar para comprar remédio. Tem que aposentar para viver, não sobreviver", afirma.
Entretanto, a realidade encontrada por Silmara é bastante diferente do que sempre sonhou. O Parque do Sóter, que foi um espaço de lazer para seu filho, Max Henrique, agora apresenta uma estrutura precária. O parquinho, que antes contava com balanços e escorregadores, não tem mais equipamentos adequados para as crianças. "O parquinho precisa de manutenção porque, você vê, o meu filho brincou ali. O que o meu filho viveu aí, outras crianças não estão vivendo", lamenta a administradora.
A deterioração do parque é visível já na entrada, localizada na Rua Hermínia Grize. Estruturas danificadas, pinturas descascadas e trechos da pista de caminhada quebrados revelam o estado de abandono. Apenas a grama cortada indica que o local ainda recebe algum tipo de atenção. A Prefeitura de Campo Grande anunciou, em 2019, a reforma das guaritas de entrada do parque, mas a situação geral parece ter se deteriorado desde então.
A falta de cuidados com o Parque do Sóter também gera impactos na economia local. A empresária Maria Clara da Silva, de 18 anos, abriu uma cafeteria chamada Kioko Luz Sana em frente ao parque, com a expectativa de atrair frequentadores. Ela percebe que a clientela não corresponde ao público esperado do parque, com muitos clientes vindo de outras áreas, como o Parque dos Poderes. "A gente achou que ligaria muito bem com a proposta do parque; muita gente vem correr, andar de manhã, tudo, mas hoje em dia o nosso público não é nada do parque", explica.
Maria Clara destaca que, mesmo com aulas e atividades físicas promovidas no parque, isso não é suficiente para atrair visitantes. "É um parque que tem muito potencial, um parque muito bonito, mas acaba não sendo tão cuidado", conclui. Dados da Prefeitura informam que cerca de 800 pessoas frequentam o Parque do Sóter diariamente, mas a insatisfação com a infraestrutura pode afastar visitantes e impactar negativamente o comércio da região.




