O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) finalizou, na terça-feira (2), uma nova investigação que resultou na proposta de uma tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros, entre outros países. Essa ação baseia-se na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e visa abordar falhas no combate à importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
No dia anterior, 1º de outubro, o USTR já havia sugerido a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, após concluir outra investigação. Nela, o governo dos EUA acusou o Brasil de implementar políticas que prejudicam o comércio norte-americano.
Neste novo contexto, o Brasil é citado ao lado de nações como Austrália, China, Colômbia, Índia, Japão e Vietnã, que também enfrentam acusações de não adotarem mecanismos eficazes para impedir a entrada de produtos fabricados com mão de obra forçada. No total, 60 países foram abrangidos pela investigação, que representa cerca de 99,4% das importações dos EUA.
Jamieson Greer, representante comercial dos EUA, afirmou que a ineficácia dos principais parceiros comerciais em combater a importação de bens produzidos com trabalho forçado é inaceitável. Ele destacou que essa situação cria desigualdade, uma vez que trabalhadores americanos competem em condições desiguais devido a custos artificialmente baixos de produtos fabricados sob essas condições.
O USTR defende que os produtos fabricados com trabalho forçado podem ser vendidos a preços inferior ao mercado, beneficiando empresas que utilizam essa mão de obra e prejudicando aquelas que seguem as normas trabalhistas. Além disso, a proposta inclui uma tarifa de 10% para países que já possuem mecanismos de restrição, o que, somado a outras tarifas, pode resultar em uma carga total acima de 37% para produtos brasileiros.
Os setores mais impactados por essas tarifas incluem manufaturados, bens industriais, máquinas, equipamentos, produtos químicos, plásticos, autopeças, calçados e têxteis, com exceção de itens que estão nas listas de isenção do USTR.




