A recente divulgação da minuta do acordo entre os EUA e o Irã permite uma avaliação mais aprofundada dos termos propostos. Antes da confirmação oficial pela Casa Branca, a versão recebida pode não ser a final, mas já oferece elementos para análise.
O texto destaca que Os Estados Unidos estão dispostos a oferecer ao Irã concessões substanciais em troca de um controle mais rígido sobre suas ações no Estreito de Ormuz. O acordo, que reflete uma abordagem diferente da administração anterior, parece ter sido moldado pela percepção de que um entendimento, mesmo que limitado, é preferível ao status atual de tensão.
A essência do Memorando de Entendimento (MOU) é que o Irã receberá uma quantia significativa de até US$ 60 bilhões, com a expectativa de evitar ações hostis contra navios na região. O acordo é estruturado em duas fases: a Fase 1, que entra em vigor imediatamente após a assinatura, e a Fase 2, que será negociada nos próximos 60 dias, podendo ser prorrogada.
Os artigos que devem ser implementados de imediato estão descritos no Artigo 13, que menciona os Artigos 4, 5, 10 e 11 do MOU como fundamentais para o início das negociações. Os Artigos 4 e 5, por exemplo, tratam do controle no Estreito de Ormuz, enquanto o Artigo 2 estabelece que os EUA não interferirão nos assuntos internos do Irã, o que pode ser interpretado como um sinal de alívio nas sanções contra violadores dos direitos humanos no país.
Entretanto, a viabilidade do acordo a longo prazo é questionável. Com base na experiência acumulada ao longo de 47 anos de negociações com o Irã, é possível que os EUA enfrentem dificuldades para transformar esse MOU em um acordo abrangente que aborde questões nucleares e outras preocupações regionais. A concessão de influência significativa por parte dos EUA em troca de garantias de segurança pode não se sustentar, especialmente se as negociações entrarem em impasse.
Assim, a expectativa de paz gerada pelo MOU pode se mostrar efêmera, caso as partes não consigam avançar para um entendimento mais duradouro. O futuro das relações entre os EUA e o Irã e a estabilidade no Oriente Médio permanecem em aberto, e a implementação das cláusulas do acordo será um indicativo crucial de seu sucesso ou fracasso.




