Um estudo do MIT Media Lab, intitulado "Your Brain on ChatGPT", introduziu o conceito de "cognitive debt", ou dívida cognitiva, que relaciona o uso de inteligência artificial com a atrofia cognitiva. A pesquisa envolveu 54 participantes, divididos em três grupos, sendo que apenas 18 completaram todas as sessões. Os resultados mostraram uma diferença significativa na conectividade cerebral entre os que utilizaram IA e aqueles que usaram apenas suas habilidades cognitivas.
A neurologista Juliana Khouri destacou que o grupo que usou inteligência artificial apresentou a menor ativação cerebral, sugerindo que o cérebro reduz seu esforço ao receber ajuda externa. Isso indica que, embora a IA não seja necessariamente prejudicial, seu uso passivo pode ser problemático.
Hugo Dória, neurocirurgião, apontou que indivíduos que utilizam IA para tarefas cognitivas complexas demonstram menor ativação em áreas relacionadas à memória e pensamento crítico. Essa dependência da IA pode levar a uma redução na capacidade de retenção de informações e um senso de autoria mais fraco sobre o conteúdo gerado.
Dória também explicou que o fenômeno de "cognitive offloading", ou terceirização cognitiva, ocorre quando funções essenciais, como pensar e resolver problemas, são delegadas à tecnologia. O uso seguro da IA depende, portanto, de como os usuários a empregam em suas atividades diárias.




