O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) e o empresário Paulo Figueiredo estão em Washington desde a última segunda-feira (22) para se reunir com representantes do governo de Donald Trump. O foco das conversas é discutir as tarifas impostas aos produtos brasileiros, conforme apurado por Débora Bergamasco no CNN 360°.
A missão de Eduardo e Paulo é de articulação política, com o objetivo de convencer os americanos de que a manutenção ou o aumento das tarifas poderá prejudicar a direita brasileira, especialmente a pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Os aliados de Flávio acreditam que o governo Trump não compreende completamente as repercussões políticas do tarifaço no Brasil.
Os interlocutores brasileiros argumentam que uma tarifa adicional de 25%, que o USTR pode aplicar após o dia 15 de julho, favoreceria o governo atual e poderia impactar negativamente a candidatura da direita, contribuindo para uma eventual reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Essa análise está ligada a uma percepção de que Trump estaria tarifando o Brasil em resposta a solicitações feitas por Eduardo Bolsonaro para a imposição de sanções contra autoridades brasileiras.
Esse cenário remonta a uma carta do presidente Trump ao governo brasileiro no ano anterior, na qual o tarifaço estava vinculado a questões relacionadas ao julgamento de Jair Bolsonaro (PL) na chamada trama golpista.
Os aliados de Flávio têm como objetivo principal evitar a aplicação da tarifa adicional de 25% e, mais criticamente, desvincular o senador da responsabilidade pelo tarifaço que já está em vigor. Para isso, buscam uma declaração formal do governo americano indicando que as tarifas não seriam aplicadas ao Brasil a pedido de Flávio, o que seria considerado um grande triunfo político.
Flávio se inscreveu para participar de uma audiência pública sobre o tarifaço e a participação de Trump, mas sua visita aos Estados Unidos coincidiu com a implementação de novas tarifas. Essa situação, segundo analistas, pode ter prejudicado sua imagem. Embora tenha inicialmente se beneficiado da decisão americana de classificar facções criminosas brasileiras como terroristas, o impacto negativo das tarifas rapidamente se impôs.




