Neste domingo (12), a Hungria encerrou um ciclo de 16 anos sob o governo de Viktor Orbán. A oposição, representada pelo partido Tisza e liderada por Péter Magyar, conquistou uma vitória significativa, impulsionada por um escândalo de indulto presidencial que abalou o governo Fidesz.
O escândalo teve início com a divulgação de que a ex-presidente Katalin Novák havia concedido um indulto a um ex-vice-diretor de um orfanato, condenado por coagir crianças a retirarem denúncias de abuso sexual. Essa revelação provocou uma onda de protestos, resultando na renúncia de Novák e da ministra da Justiça, Judit Varga, e evidenciando fissuras na base de apoio de Orbán.
Péter Magyar, advogado e empresário, anteriormente ligado ao governo e ex-marido de Judit Varga, rompeu com o Fidesz após o escândalo. Ele denunciou a corrupção sistêmica e assumiu a liderança do partido Tisza, transformando-o em uma força eleitoral competitiva, capaz de alcançar a supermaioria no Parlamento.
O nome do partido é um trocadilho que combina as iniciais das palavras húngaras para 'respeito' e 'liberdade', além de remeter ao segundo maior rio da Hungria, permitindo o uso de metáforas impactantes na campanha, como a ideia de que o rio estaria 'transbordando' para purificar a política nacional.
Diferente de Orbán, que cultivou uma relação próxima com Vladimir Putin e SE opôs a decisões da União Europeia, o partido Tisza busca um realinhamento com Bruxelas. Magyar compromete-SE a reduzir a dependência energética da Rússia até 2035 e a adotar uma postura mais favorável à Ucrânia, mesmo mantendo a política de não enviar armas ao conflito.
O partido Tisza obteve mais de 53% dos votos, garantindo 138 das 199 cadeiras no Parlamento. Essa supermaioria é essencial para o novo governo, que agora tem a capacidade de reformar a Constituição e reestruturar instituições, como o Judiciário e a imprensa, que a oposição alega estarem sob controle do grupo de Orbán ao longo da última década.




