Nos últimos anos, a organização de encontros empresariais passou por uma transformação significativa. A tradicional reserva de auditórios e salas de convenções está sendo substituída por uma busca por experiências que priorizam a atenção e a interação genuína entre os participantes. Essa mudança reflete um movimento global em direção ao bem-estar e à saúde mental no ambiente de trabalho.
De acordo com um levantamento da consultoria Grand View Research, o mercado de wellness corporativo alcançou um impressionante volume de US$55,1 bilhões em 2025. Esse crescimento é impulsionado por investimentos em saúde mental, qualidade de vida e engajamento nas empresas, o que tem levado muitas organizações a repensar a forma como realizam seus encontros e treinamentos.
Nesse novo contexto, iniciativas como o Roga Village, localizado em Atibaia, surgem como alternativas inovadoras. Idealizado por João Henrique Martins da Silva, Erika Takara, Renato Nicoletti Fonseca, Ricardo Nicoletti Fonseca e Paulo Motta, o espaço propõe uma abordagem diferenciada: ao invés de focar apenas na hospedagem e infraestrutura, o Roga Village se dedica a criar jornadas personalizadas que atendem às necessidades específicas de cada grupo.
João Henrique Martins destaca que o verdadeiro desafio está em compreender a mensagem que cada empresa deseja transmitir e em moldar toda a experiência em torno disso. Para ele, a ideia central é reconhecer que, antes de serem profissionais, os participantes são pessoas com necessidades e desafios próprios. Essa perspectiva tem alterado o perfil das demandas recebidas pelo Roga Village, que agora atende a laboratórios, escritórios de advocacia, grupos médicos e empresas de treinamento em busca de formatos mais flexíveis e alinhados às suas realidades.
Atividades como práticas de respiração e exercícios ao ar livre têm sido incorporadas nas jornadas, proporcionando uma nova dinâmica de interação. O resultado dessas experiências não se reflete apenas em palestras ou dinâmicas tradicionais, mas na forma como os participantes passam a enxergar seus negócios e seus papéis dentro deles. Essa mudança de foco traz à tona a ideia de que “o novo luxo é escutar o silêncio”.
Historicamente, a exclusividade era associada a hotéis de alto padrão e restaurantes renomados. Contudo, a nova geração de executivos, acostumados a rotinas intensas, começa a valorizar algo que antes parecia raro: o silêncio e a contemplação. Essa tendência também se manifesta em eventos de grande visibilidade, como o Festival de Cannes, onde a marca Alo apresentou vivências voltadas ao equilíbrio entre corpo e mente, reforçando a ideia de que exclusividade pode estar mais relacionada à qualidade das interações do que ao consumo.



