A Justiça de Dourados está analisando 11 ações movidas contra o Grupo ICA, que totalizam uma cobrança de R$ 5 milhões em investimentos não cumpridos. Os autores das ações incluem empresários, profissionais liberais, como advogados e médicos veterinários, além de uma servidora pública. Todos eles realizaram aportes financeiros na empresa, que possui um posto de atendimento na Rua Major Capilé, uma área valorizada do município. As promessas feitas pelo grupo indicavam retornos de até 2,5%, mas os pagamentos deixaram de ser efetuados desde março de 2023.
Os processos detalham que, além da localização privilegiada, o Grupo ICA ganhou notoriedade na cidade ao oferecer um jantar exclusivo, que foi amplamente divulgado em colunas sociais da região. Um dos autos menciona que o grupo se aproveitou de corretores locais conhecidos, criando uma imagem de credibilidade e segurança que atraiu uma clientela influente em Dourados.
Os valores das ações variam de R$ 54 mil a R$ 1.128.450,00, e os relatos indicam que os rendimentos estavam em dia até o primeiro semestre de 2026. Após esse período, os investidores notaram sinais de colapso financeiro e inadimplemento, com a empresa deixando de honrar os pagamentos mensais e não respondendo às solicitações de resgate feitas pelos clientes. Os processos também destacam a falta de informações claras sobre a devolução dos valores investidos.
Uma das ações aponta que, em vez de cumprir com as obrigações contratuais, o Grupo ICA passou a fornecer justificativas que se mostraram contraditórias. As razões apresentadas incluíam auditorias regulatórias, reestruturações e questões relacionadas ao Banco Central do Brasil. Contudo, nenhuma documentação comprobatória ou cronograma claro para a normalização dos pagamentos foi apresentado aos investidores.
As decisões judiciais têm sido variadas. Enquanto alguns juízes autorizam o bloqueio de valores para o ressarcimento dos investidores, outros negam os pedidos. O grupo, por sua vez, argumenta que os atrasos são resultado de um processo de reorganização societária e operacional, relacionado à implementação de uma nova estrutura de negócios atrelada a um FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios).
A empresa afirma que a transição está sendo realizada de forma a não interromper suas atividades e que está comprometida em concluir as medidas necessárias para regularizar os fluxos financeiros. O cronograma de regularização divulgado aos investidores, segundo o grupo, será rigorosamente seguido, respeitando as etapas técnicas e operacionais estabelecidas para a nova estrutura.




