Dourados, cidade localizada no estado de Mato Grosso do Sul, enfrenta um grave surto de Febre Chikungunya, com 2.819 casos em investigação, conforme o Relatório Epidemiológico Diário. O documento foi divulgado pela prefeitura nesta terça-feira, 21, e aponta que as amostras dos casos em análise foram coletadas no Laboratório Central (Lacen) em Campo Grande, onde aguarda-se a confirmação dos diagnósticos.
Atualmente, a cidade contabiliza 2.163 casos positivos da doença, enquanto 1.361 notificações foram descartadas, totalizando 6.343 registros. A taxa de positividade permanece alarmante, em 61,4%, o que indica uma intensa circulação viral na região. O relatório destaca que, apesar de uma leve redução nos números, os índices continuam acima dos padrões adequados para vigilância epidemiológica, o que sugere que a epidemia continua ativa.
Organismos internacionais, como a World Health Organization, alertam que taxas superiores a 5% indicam uma transmissão não controlada, reforçando a gravidade do cenário enfrentado em Dourados. As Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do Joquei Clube e Seleta concentram a maior parte das notificações, com 453 e 327 casos, respectivamente. A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) também tem registrado um aumento significativo no número de atendimentos, possivelmente relacionado ao aumento das notificações.
Até o momento, 42 pessoas estão internadas em decorrência da doença e foram confirmadas oito mortes. Além disso, dois óbitos estão sob investigação, um deles de um menino indígena de 12 anos e o outro de um idoso não indígena de 84 anos, este último com histórico de doença arterial coronariana. O relatório ressalta que os dados ainda revelam um elevado número de internações, indicando um início de sobrecarga nos atendimentos da rede de Atenção Primária à Saúde, bem como nos serviços de urgência e emergência.
Em resposta à situação crítica, o município decretou estado de emergência em saúde pública. Nas últimas duas semanas, os casos agudos, que surgem até 14 dias após o início dos sintomas, foram predominantemente registrados entre a população não indígena. Entretanto, nas aldeias que compõem a Reserva Indígena, que abrange Dourados e Itaporã, a situação apresenta-se mais estável, com 1.461 casos confirmados e 860 em investigação nas comunidades de Jagupiru e Bororó.




