O ar gélido de Calgary cortava como navalha em 1988, mas o que realmente paralisou o mundo não foi o frio de -20°C. Foi um feixe de cores verde, preto e amarelo rasgando o branco monótono da pista de gelo. O público prendeu a respiração, incrédulo.
Ali, longe das praias paradisíacas e do sol escaldante do Caribe, quatro homens desafiavam a lógica, a física e o preconceito. O som das lâminas de metal riscando o gelo se misturava às batidas aceleradas de corações que ousaram sonhar o impossível.
A Jamaica abriu as portas, mas não entrou sozinha. A saga dos países sem neve que competem nas Olimpíadas é repleta de protagonistas fascinantes que trocam o conforto tropical pelo rigor do inverno. Imagine treinar esqui cross-country correndo sobre esquis com rodinhas no asfalto quente do Brasil ou descendo dunas de areia.
A presença dessas nações nos Jogos de Inverno vai muito além do exotismo ou da curiosidade. Ela toca na essência mais pura do Olimpismo: a universalidade. Ver a bandeira da Eritreia, do Timor-Leste ou das Filipinas tremulando contra um fundo de montanhas nevadas é um lembrete visual poderoso de que o esforço humano é universal.




